Jocelino soltou uma risada de escárnio.
Fabíola havia perdido totalmente o controle.
Ele nem olhou mais para a mulher, que parecia ter enlouquecido, e voltou seu olhar para o Sr. Almeida.
O delegado, que havia saído correndo da sala de monitoramento e arrombado a porta, tentava desajeitadamente controlar Fabíola com a ajuda de dois subordinados.
Ao ver a expressão fria e cortante de Jocelino, o Sr. Almeida começou a suar frio. Enquanto lutava para segurar os braços agitados de Fabíola, gritou para os policiais com urgência:
— Rápido! Segurem a Srta. Saramago!
— Não deixem que ela faça uma besteira!
A cena era um verdadeiro caos, além de patética.
Jocelino observou toda a confusão com um sorriso sarcástico no canto da boca.
— Sr. Almeida.
A voz de Jocelino não era alta, mas cortou com clareza os xingamentos de Fabíola e o barulho da confusão. Com os olhos fixos no rosto pálido do delegado, falou com ironia indisfarçável.
— Vocês disseram que eu estou envolvido em lavagem de dinheiro, e eu cooperei ativamente com a investigação. Mas essa é a postura de vocês?
— Primeiro, me empurram de propósito e puxam meu cabelo, tentando me incriminar com acusações falsas.
— E agora “permitem” que alguém da família Saramago venha me agredir fisicamente?
— É assim que a polícia de Serenidade das Ondas aplica a lei?
— Hoje eu realmente aprendi uma lição.
O rosto do Sr. Almeida alternava entre o verde e o branco, enquanto o suor frio escorria.
Acabou...
Agora eles tinham se metido num problemão.
O coração do Sr. Almeida disparou, tomado por um amargo arrependimento.
Quando tudo saísse do controle, ele certamente seria o primeiro a ser sacrificado como bode expiatório.
— Foi um mal-entendido! Sr. Barreto, isso tudo foi um mal-entendido!
Enquanto segurava com força a Fabíola, que ainda se debatia e xingava, o Sr. Almeida tentou se explicar às pressas, com a voz seca de tensão.
— A Srta. Saramago só se exaltou um pouco. Já vamos tirá-la daqui! Garanto que isso não vai se repetir!
— Rápido, tirem a Srta. Saramago daqui!
A última frase foi dirigida aos policiais, em tom severo, quase como um grito.
Tudo o que ele queria naquele momento era se livrar daquela criatura problemática e abafar o tumulto dentro da delegacia.
Quanto ao que viria depois...
O Sr. Almeida já não conseguia pensar nisso. Sua mente estava um caos; ele só queria resolver a bagunça diante dos seus olhos.

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