Naquele momento, o Sr. Almeida chegou até a se arrepender de ter aceitado lidar com aquela confusão.
Afinal, certas vantagens não vinham tão fácil.
— Me soltem!
— Me soltem!
— Com que direito vocês estão me segurando?!
— Esse mentiroso descarado! Esse lixo humano!
— Eu vou rasgar a boca dele!
Fabíola, contida por várias pessoas, continuava se debatendo e chorando sem parar, tendo perdido completamente qualquer pose.
O Sr. Almeida já não estava nem aí para o status dela como filha da família Saramago; só queria mandar aquela encrenqueira embora o mais rápido possível. Entre empurrões e tentativas de apaziguá-la, ele praticamente a “convidou” à força para fora da área de detenção.
Jocelino observou friamente o fim daquela farsa até que a porta de ferro se fechou novamente, isolando o barulho do lado de fora.
Então voltou a se sentar. O sorriso sarcástico desapareceu lentamente de seu rosto, que retomou a calma inabalável de sempre, como se nada tivesse acontecido.
No entanto, no fundo de seus olhos, o frio se intensificou ainda mais.
Ele não dava a menor importância aos surtos de Fabíola; sequer se dignava a levá-los a sério.
Uma herdeira mimada como a Srta. Fabíola, que só sabia fazer escândalo e se apoiar no pai, não tinha força para provocar uma tempestade de verdade.
As acusações e os xingamentos dela, para ele, eram como uma coceira passageira.
Se Fabíola não tivesse mencionado Aeliana, ele nem teria se dado ao trabalho de responder.
Ao se lembrar das últimas palavras dela antes de sair, o olhar de Jocelino escureceu, e um riso frio surgiu dentro dele.
Nos altos e baixos do mundo dos negócios, ele já tinha visto incontáveis ataques, abertos ou escondidos, e não temia os truques sujos de gente como Leonardo. Mas se alguém ousasse colocar Aeliana na mira...
Que tentassem.
Ele lhes mostraria o verdadeiro preço disso.
Ele preferia suportar todos os riscos sozinho a permitir que ela se envolvesse, nem que fosse um pouco.
Mas agora, preso naquele espaço confinado, sem notícias e sem poder agir, ele nem sequer conseguia confirmar se ela havia saído em segurança.
Essa sensação de impotência era muito mais angustiante do que lidar com o escândalo de Fabíola ou com as armações do Sr. Almeida.
Ele precisava encontrar um meio de mandar uma mensagem para fora quanto antes, nem que fosse só para saber se Aeliana estava bem.
Ao mesmo tempo, precisava se preparar para qualquer reviravolta.
Se Leonardo havia descoberto sua identidade, não deixaria escapar uma oportunidade de ouro como aquela.
Onde há perigo, também há oportunidade. Para Jocelino, no fim das contas, aquilo talvez nem fosse algo tão ruim.
Ele fechou os olhos lentamente, reprimindo por completo todas as emoções.
Quando os abriu de novo, restava neles apenas uma serenidade profunda e uma lucidez abissal.

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