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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 978

Desde o acidente de Jocelino, a ambição desmedida de Reinaldo dispensava qualquer disfarce. Isso fez com que a atmosfera da família Barreto, antes leve e agradável, ficasse subitamente tensa.

Eduardo acabara de encerrar uma ligação com seu homem de confiança, Dr. Siqueira, e suas sobrancelhas grisalhas estavam franzidas em um nó apertado.

O Dr. Siqueira relatara que o fluxo de capital em vários projetos importantes da empresa apresentava anomalias recentes, e alguns documentos pareciam ter sido adulterados. Por trás disso, via-se a sombra de Reinaldo.

Mas o acidente de Jocelino completara apenas uma semana. Desde quando Reinaldo estaria planejando tudo isso?

Pior ainda, Eduardo começou a questionar: o acidente de Jocelino teria alguma relação com Reinaldo?

De um lado, o neto que ele criou e mais amava; do outro, seu próprio filho...

Ao desligar o telefone, os dedos magros de Eduardo apertaram com força a bengala de madeira, os nós dos dedos ficando brancos. Ele se levantou lentamente e, com passos trôpegos, foi até a janela olhar para fora.

O que viu fez o coração de Eduardo afundar.

No pátio, não se sabe quando, surgiram vários guarda-costas de porte robusto e rostos desconhecidos. Pareciam estar ali casualmente, mas seus olhos afiados varriam cada canto da mansão como falcões. Aquela postura de alerta não era de uma segurança comum.

— Benício.

— Vá ver o que está acontecendo lá fora.

Na verdade, nem precisava verificar; Eduardo já podia imaginar de quem era a ideia.

Além daquele filho ingrato, Reinaldo, quem mais ousaria fazer algo assim na mansão da família?

A voz de Eduardo soava baixa e rouca, carregando um cansaço imperceptível. Ele sofrera grandes golpes recentemente; a dor de um avô enterrando um neto já era devastadora, e agora, com as ações de Reinaldo, mesmo um corpo de ferro não suportaria tal tormento.

Mal terminara de falar, a pesada porta de madeira maciça do escritório foi empurrada.

Reinaldo entrou com passos tranquilos, vestindo um terno cinza-escuro de corte impecável, o cabelo perfeitamente penteado e uma expressão de preocupação falsa e calculada no rosto.

Atrás dele, dois guarda-costas enormes e de expressões frias entraram como duas torres de ferro, fazendo o escritório espaçoso parecer subitamente apertado.

— Pai, não me entenda mal.

Reinaldo falou, claramente tendo ouvido a repreensão de Eduardo ainda da porta.

Comparado ao irritado Eduardo, Reinaldo parecia sentir-se injustiçado, com um tom de voz resignado:

— Estamos em um momento crítico. Jocelino sofreu aquele acidente na fronteira e, embora tenhamos contido a notícia por enquanto, as paredes têm ouvidos. Não sabemos quantos olhos estão sobre a família Barreto, esperando um momento de fraqueza para atacar. Reforcei a guarda da mansão pensando unicamente na sua segurança.

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