As palavras de Reinaldo eram sinceras, como se tudo fosse pelo bem da família e do quadro geral.
— Pela minha segurança?
Eduardo virou-se bruscamente, o olhar fulminante como um raio, dirigindo-se àquele filho aparentemente submisso. Seus olhos afiados pareciam querer perfurar o disfarce dele.
— Reinaldo, você é meu filho. Eu conheço cada passo seu antes mesmo de você pensar em dá-lo! Se fosse realmente pela minha segurança, você mandaria essa gente embora imediatamente!
— Eu, Eduardo Barreto, naveguei pelo mundo dos negócios a vida inteira. Que tempestade eu não vi? Ainda não estou velho a ponto de precisar ser vigiado pelo meu próprio filho como um prisioneiro!
As palavras de Eduardo foram como um chicote no rosto de Reinaldo, fazendo passar um brilho sombrio por seus olhos. Ele suspirou, intensificando a expressão de "impotência".
— Pai, deixe de teimosia.
— Rodrigo partiu cedo, e agora Jocelino também... A empresa está em pânico, os acionistas estão observando. O senhor já tem idade, não pode passar por fortes emoções. Se algo acontecer com o senhor, o navio da família Barreto afundará de vez. O senhor quer que o império que o vovô construiu com tanto suor seja destruído?
Reinaldo argumentava com lógica, sem demonstrar culpa.
Ao terminar, sem esperar a refutação de Eduardo, ele inclinou levemente a cabeça e fez um sinal com os olhos. Os dois guarda-costas robustos deram um passo à frente imediatamente, posicionando-se à esquerda e à direita de Eduardo, numa atitude falsamente respeitosa, mas criando uma pressão de cerco invisível.
— O que vocês pensam que estão fazendo? — Benício, vendo a cena, mudou de expressão e instintivamente tentou intervir.
Outro guarda-costas trazido por Reinaldo bloqueou o caminho de Benício como uma parede, sem expressão, mas com uma atitude inabalável.
— Deixe os problemas da empresa comigo.
— Eu garanto que levarei o Grupo Barreto a um novo patamar.
Por mais talentoso que Jocelino fosse, ele era apenas um garoto.
Reinaldo acreditava que, embora não se comparasse a Rodrigo, ele era certamente mais do que capaz de superar um jovem inexperiente.
— Nem pense nisso! — Eduardo sacudiu o braço violentamente para se soltar. Devido à agitação, seu corpo balançou, deixando Benício aterrorizado ao lado.
— Enquanto eu tiver um sopro de vida, a família Barreto não cairá nas mãos de quem usa métodos tão sujos quanto você!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias