— O caso de Jocelino nem foi esclarecido e você já está com tanta pressa assim?
Reinaldo não esperava que, àquela altura, Eduardo ainda se recusasse a colaborar!
Eduardo sempre fora assim: só tinha olhos para o "bom filho" e o "bom neto", nunca o levara a sério.
Já que Eduardo o tratava assim, não poderia culpá-lo por ser indelicado!
O último vestígio de calor desapareceu dos olhos de Reinaldo. Ele parou de fingir e fez um sinal direto para os guarda-costas.
Os dois homens imediatamente entenderam e "ampararam" Eduardo pelos dois lados. Parecia respeitoso, mas usavam força oculta nas mãos, arrastando-o semi-forçadamente em direção ao quarto.
— Reinaldo! Seu filho ingrato! Me solte! — Eduardo lutava com todas as forças, mas como poderia um idoso debilitado vencer dois homens fortes e treinados?
Durante a disputa, a bengala de madeira que ele segurava caiu no chão com um barulho seco.
— Pai, acalme-se. Ficar agitado faz mal à saúde. — Reinaldo abaixou-se para pegar a bengala, símbolo da autoridade familiar, pesando-a na mão. Sua voz não continha qualquer emoção. — Quando a situação lá fora se estabilizar, eu lhe devolverei a liberdade. Por enquanto, descanse bem no seu quarto.
Benício tentou segui-los, mas foi barrado firmemente na porta do escritório pelo guarda-costas:
— Desculpe, o Sr. Eduardo precisa de repouso absoluto. O Sr. Reinaldo ordenou que ninguém o incomode.
A porta do quarto se fechou com um estrondo diante dos olhos de Benício, seguido pelo som da chave girando na fechadura pelo lado de fora.
Encostado na porta, Benício podia ouvir claramente os gritos furiosos de Eduardo lá dentro, seguidos pelo som das janelas sendo trancadas à força.
Reinaldo saiu do quarto sem expressão e instruiu os dois guarda-costas que montavam sentinela como estátuas na porta:
— Vigiem bem. Sem minha permissão, ninguém entra e o Eduardo não deve contatar ninguém. Retirem o celular, o telefone fixo e qualquer meio de comunicação externa do quarto dele.
A luz do sol brilhante atravessava o vidro e iluminava seu rosto, mas ele não sentia calor algum, apenas um frio cortante que subia da sola dos pés e se espalhava por todo o corpo.
Sua mão enrugada fechou-se em punho e, com toda a força que lhe restava, ele socou o batente duro da janela, produzindo um som abafado e impotente.
— Reinaldo! Bravo! Bravo! Bravo! Você é realmente incrível!
— Eu te criei até hoje para você me tratar assim no final!
Heloisa, por sorte, havia ido à casa da família Martins perguntar ao cunhado se havia notícias de Jocelino, e por isso escapou daquele confronto.
Ao retornar da família Martins, assim que Heloisa pisou no saguão de entrada, percebeu que havia algo errado.
A mansão estava cheia de rostos estranhos, vestidos com ternos pretos idênticos, parados como esculturas em pontos chave dos corredores e escadas, varrendo o ambiente com olhares vigilantes.

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