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Desprezada pelo Ex, Desejada pelo Magnata romance Capítulo 31

Após o estalo, os dois ficaram paralisados.

Ulisses ergueu levemente a sobrancelha, com o olhar profundo e insondável.

Ninguém nunca havia batido em seu rosto.

Desde a infância, nunca.

Ninguém ousaria fazer algo semelhante.

Aquela era, sem dúvida, a experiência mais inédita de seus vinte e oito anos de vida.

Luana também estava em choque.

Até numa briga, o rosto era um limite. E, no entanto, ela havia esbofeteado o rosto de Ulisses.

Aquele homem inatingível, nobre e de uma frieza arrogante.

A palma de sua mão formigava, provando a força que acabara de usar.

Mas ela não tinha o direito de bater?

Como ele pôde... como ele pôde fazer algo tão vil?

Naquele momento, tudo se tornou assustadoramente claro para Luana.

Após beber a taça que Luciano lhe oferecera, ela perdeu completamente a consciência. Embora as memórias estivessem fragmentadas, as imagens residuais em sua mente gritavam que o homem que tentara profaná-la, o corpo que se entrelaçara ao dela na escuridão, era Ulisses.

Ela ingenuamente acreditou que Luciano a pouparia de acompanhar Kléber.

Jamais imaginou que o próprio marido a entregaria na cama de um homem de status ainda mais elevado.

A verdade era nua e crua: para satisfazer seus próprios interesses egoístas, Luciano a havia tratado como um mero brinquedo, uma mercadoria.

As ações de Luciano rasgavam seu coração, mas o homem diante dela era igualmente repugnante e desprezível!

Ele a observava. Seu olhar era denso e, por uma fração de segundo, houve um torpor em sua expressão, como se ele abrigasse um traço de ressentimento.

Ele, ressentido?

O nariz de Luana ardeu instantaneamente, e seus olhos se encheram de lágrimas de humilhação.

— Por que me bateu? — Ulisses indagou. Mesmo após o tapa, sua voz permanecia gélida, inalterada e distante. Como se a pessoa que acabara de ser esbofeteada não fosse ele.

Luana abriu a boca, a voz tremendo de pavor e asco:

— Você... saia daqui...

Ulisses franziu o cenho.

— Você não está interpretando as coisas de forma equivocada?

Luana fechou os olhos, os cílios longos tremeluzindo em agonia:

— A humilhação que você me fez passar já não foi o suficiente?

Luana puxou o ar profundamente, erguendo um escudo psicológico gigantesco antes de conseguir articular:

— Saia.

Ulisses a encarou por um momento, não disse mais nada, virou-se e saiu, fechando a porta do quarto atrás de si.

Sem hesitar por um segundo sequer, Luana arrancou a agulha do dorso da mão.

Pressionou o pequeno sangramento por dois minutos e, em seguida, vestiu as roupas de forma apressada e mecânica.

Ao abrir a porta do quarto, deu de cara com o homem esperando no corredor.

Ele era imponente. Sem seus saltos, Luana precisava erguer o rosto para encará-lo.

— Precisamos conversar. — Ele reiterou, com a mesma autoridade contida.

— Não temos nada para conversar. — Luana mantinha o rosto frio, lutando com todas as forças para sufocar a raiva e a impotência que a corroíam por dentro. — Deixe-me ir.

Diante de um homem com aquele nível de poder, falar em buscar seus direitos, chamar a polícia ou exigir justiça seria um delírio.

Por mais cruel que fosse, a sociedade funcionava assim.

As portas sempre se abriam para os mais ricos e influentes; eles simplesmente não operavam sob as mesmas regras do resto do mundo.

Era brutalmente injusto, mas era a realidade.

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