— A Bruna me disse que você é a melhor advogada. — Os olhos de Luana marejaram, e sua voz saiu embargada. — Se nem você pode me ajudar, o que vai ser de mim?
Os cílios dela tremiam, revelando uma fragilidade dilacerante.
Ver uma mulher tão bonita e destruída chorar faria qualquer pessoa amolecer, e Clarice não era exceção, mesmo sendo uma profissional fria.
Ela ponderou por um instante e disse: — Se você está absolutamente decidida a ir à polícia e processá-lo, eu assumirei o caso, mesmo sabendo que não temos chances reais no tribunal. Talvez possamos atacar por outra frente: o tribunal da internet. Independentemente de conseguirmos uma condenação penal, podemos garantir que ele não saia ileso.
— O tribunal da internet?
— Sim, a sociedade tende a simpatizar com a vítima. Na era da informação, podemos acionar influenciadores e manipular a narrativa pública para pressioná-lo. Mas existe um preço altíssimo: para expor esse caso, você terá que se despir publicamente perante a sociedade. Ulisses terá a reputação manchada, mas você passará por um inferno. Sairá destruída desse processo.
Luana mergulhou em um silêncio profundo.
— A sociedade simpatiza com a vítima, é verdade, mas também está cheia de pessoas que, por puro instinto, julgam e culpabilizam a mulher. Vão dizer que você quer fama, que tentou dar o golpe, que se jogou em cima do Ulisses por causa do dinheiro dele e, quando não conseguiu o que queria, decidiu processar... Prepare-se para ouvir coisas ainda mais nojentas e cruéis do que essas.
Luana assentiu devagar: — Eu entendo.
Ela queria denunciar Ulisses, queria que a lei pesasse sobre ele, mas nunca havia cogitado transformar sua dor em um espetáculo público.
Para uma mulher, ter a própria dignidade arrastada na lama era um peso quase insuportável.
Clarice continuou, com a voz firme: — Pense bem. Se decidir registrar o boletim de ocorrência, quanto mais rápido, melhor.
— Tudo bem, eu vou pensar. — Embora estivesse arrasada com a falta de perspectivas, Luana sentia uma gratidão genuína. — Muito obrigada pela sua sinceridade.
— Eu não fiz muito. — Clarice recolheu suas coisas. — Quando tomar uma decisão, me ligue.
Após a saída de Clarice, Luana ficou sentada, imersa em pensamentos turbulentos.
Ela havia juntado cada pedaço de coragem que lhe restava para enfrentar os monstros e buscar justiça.
Mas não esperava que a esperança fosse tão ínfima, quase invisível.
O celular vibrou na mesa. Era uma mensagem de Clarice.
Dizia: *Outra alternativa seria voltar ao local do crime para ver se consegue encontrar alguma prova física.*
Os olhos de Luana ganharam um brilho momentâneo, que logo se apagou, substituído pela amargura.
O local do crime era o iate particular de Ulisses.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Desprezada pelo Ex, Desejada pelo Magnata
Continua bloqueado os capitulos do 30 a 144, como podemos ler os outros gratuitos assim?????????...
Poxa....Desbloqueia do 30 ao 144, pq do 145 para frente estão desbloqueado....
Pq tá bloqueado do 30 até o 144, e não bloqueado do 145 até o 165?...
Não vai abrir os capítulos gratuitos? Quero muito ler!...
Vai ter atualização?...
Esse livro é muito bom! Libera mais capítulos grátis por favor!...