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Desprezada pelo Ex, Desejada pelo Magnata romance Capítulo 43

— Como é que é?

Clarice não conseguiu esconder o espanto.

Ao ver a reação da advogada, Luana esboçou um sorriso amargo: — Ele é alguém da alta roda, não é? Você também sabe quem ele é.

— Impossível. — Clarice franziu a testa, a mente trabalhando rápido. — Luana, você tem certeza absoluta? Não houve nenhum engano?

Luana sustentou o olhar dela, os olhos escuros carregados de uma dor profunda: — Quando eu acordei, não havia uma única peça de roupa no meu corpo. E o homem deitado ao meu lado era ele. Além disso, eu tenho fragmentos de memória... Eu sei que era ele.

— Mas... — Clarice balançou a cabeça, recusando-se a aceitar. — Eu simplesmente não consigo acreditar.

— Talvez a máscara que ele usa em público seja perfeita demais. — Luana falou com uma voz gélida. — A primeira vez que o vi, também achei que ele fosse um homem nobre e intocável. Quem diria que seria capaz de cometer um ato tão asqueroso?

— Se isso for realmente verdade, eu vou te ajudar. — Clarice assumiu uma postura puramente profissional. — O que você tem de provas no momento?

Luana balançou a cabeça, sentindo a impotência esmagá-la: — Eu... eu pesquisei na internet e vi que é necessário preservar fluidos corporais do agressor. Mas eu não tenho nada em mim.

— Como assim, nada?

— Quando eu acordei, ele provavelmente já havia me dado banho. — Luana sentiu um calafrio de repulsa, não queria revisitar a memória, mas precisava fornecer os detalhes. — Então, não há vestígios físicos.

Clarice soltou um suspiro contido: — Casos de abuso sexual já são extremamente complexos para as vítimas buscarem justiça. Sem a presença de material genético, a situação beira o impossível.

— Mas eu tenho um áudio gravado do Luciano. — Luana apressou-se em pegar o celular. — Isso serve como prova?

— Serve, mas o peso jurídico é muito fraco. — Clarice analisou friamente. — E, sendo realista, é muito provável que a defesa deles consiga invalidar essa gravação.

Luana sentiu um nó na garganta: — Por quê?

— Primeiro, precisaríamos da confissão do Luciano. Se ele negar o contexto, a credibilidade desse áudio despenca. Ele pode alegar que você o induziu a dizer aquelas palavras sob pressão. Segundo, a equipe de advogados do Ulisses pode usar isso para argumentar que você e o seu marido estão armando um complô para extorqui-lo, já que, perante a lei, vocês ainda são casados.

Luana não esperava bater em um muro de concreto tão intransponível.

Ela sussurrou: — Então o que eu tenho que fazer para que ele pague pelo que fez?

— Pelo seu relato, a forma metódica como tudo aconteceu indica que não foi a primeira vez. Você acha que as mulheres antes de você estavam lá por livre e espontânea vontade? Certamente não. Você acha que nenhuma delas tentou denunciá-lo? Com certeza tentaram. Mas, no fim, tudo deve ter sido abafado.

— Só porque ele tem dinheiro e poder, ele tem o direito de cometer crimes e sair impune?

— Luana, a Bruna me disse que você é a melhor amiga dela, e é apenas por isso que estou sendo tão transparente. A sociedade é cruel e estruturalmente injusta. E você ainda vai se deparar com muita injustiça pela frente.

— Então qual é o sentido da lei existir? Pessoas comuns nasceram apenas para ser pisadas por eles?

Clarice soltou um suspiro pesado, o tom carregado de um cinismo resignado: — Luana, o que você quer que eu diga? Eu me sinto igualmente impotente, mas essa é a realidade do mundo em que vivemos. Sinto muito, mas pelas vias tradicionais, eu não posso te salvar.

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