— Mano! Mano! — Helena chegou ofegante, o coração apertado.
Bento Gomes era pesado, e ela, junto com Alice, o ajudou a se levantar com todo o cuidado.
— Onde estão aqueles homens? — perguntou Helena, tentando conter a raiva.
— Já foram embora, Helena. — respondeu Jonas, com um suspiro. — Quando viram nossos colegas chegando, bateram em retirada, uns covardes.
Helena olhou para os colegas de Bento, ainda ofegantes. — Obrigada, gente. Vocês já fizeram o suficiente por hoje, podem ir descansar.
Assim que todos saíram, Helena chamou uma ambulância. Ela e Jonas acompanharam Bento até o hospital mais próximo.
Após os exames, a constatação: ferimentos superficiais, nada de grave. Mas Bento estava pior — seu corpo todo machucado, e o rosto... tão inchado que mal dava pra reconhecê-lo.
Helena se aproximou da cama e perguntou, com voz suave:
— Mano, como você está se sentindo?
Ele sorriu, mesmo com dificuldade.
— Já não dói, maninha. Não se preocupe comigo... E a Alice? Como ela está?
Jonas, que escutava a conversa, bufou com indignação.
— Ah, claro! Nem pergunta por mim! Primeiro a Alice... que ingrato!
Bento olhou pra ele com seriedade infantil.
— E você, Jonas, tá bem?
— Tô nada bem! — respondeu o outro, cruzando os braços, mas um brilho de divertimento passava pelos olhos.
Preocupado, Bento virou-se para Helena.
— Maninha, chama o médico pro Jonas! Ele disse que não tá bem!
Helena não conteve o riso e balançou a cabeça, amorosa.
— Mano... ele está brincando com você. Mas me diz uma coisa: com toda a força que você tem, como é que conseguiu apanhar deles?
Ela sabia que o irmão era simples, inocente até, mas a força dele era fora do comum — quase sobre-humana. Somente alguém muito bem treinado conseguiria derrubá-lo.
Bento abaixou o olhar.
— Alice, você não tem culpa nenhuma. Meu irmão só defendeu o que é certo. E por isso eu tenho orgulho dele. Mas os responsáveis... esses não vão sair impunes.
Alice olhou para Bento, vendo os curativos, o rosto machucado, o corpo coberto de hematomas. Uma pontada de dor e ternura apertou-lhe o peito.
— Helena... deixa eu ficar e cuidar dele, pelo menos até se recuperar.
Helena hesitou por um momento, depois assentiu com um leve sorriso.
— Tá bem... eu confio em você.
E a verdade é que ela percebia: o olhar do irmão ainda se suavizava toda vez que via Alice. Havia ali algo não resolvido, um sentimento que o tempo não tinha conseguido apagar.
Deixando o quarto, Helena se voltou para Jonas.
— Jonas, obrigada por tudo.
Ele deu de ombros, um sorriso tímido no rosto.
— Que isso, Helena. Eu que devo agradecer. Tinha perdido o emprego, e foi você que me ajudou a encontrar outro. Além do mais, o Bento é meu irmão de alma. Crescemos juntos. Mesmo sem você pedir, eu jamais deixaria ele sozinho.
Helena sorriu, com o coração mais leve.

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