— Gerente Farias, sinto muito... — O assistente Domingos saiu silenciosamente, com lágrimas nos olhos.
À noite.
Ayrton voltou para casa e, assim que entrou, ouviu sons de discussão.
— O que você quer dizer? Eu não me casei com a sua família para ser empregada. Não sabem contratar alguém para cozinhar?
— Contratar empregada? Você sabe muito bem qual é a condição da família Farias agora. Contratar alguém é caro! Por que você não faz? Como nora, por que não pode cozinhar?
— Eu nunca cozinhei na vida, eu sou a filha mais velha da família Gomes, entenda isso! E além do mais, estou grávida!
— Sua barriga ainda está pequena, não está? Quando eu estava grávida de Ayrton, com cinco ou seis meses, eu ainda trabalhava. Você é muito fresca! Não sei para que trouxemos você para esta família. Seu gênio é muito difícil. Clara era melhor, quietinha, de índole gentil. Foi uma grande maldição ter casado com você!
— Você... você se atreve a me tratar assim? Vou contar para a vovó, vou pedir para ela intervir!
— Ah! Contar para a tia? Vá em frente! Ela é sua avó, mas também é nossa tia. A tia sempre adorou o sobrinho dela, você acha que ela vai acreditar nas suas bobagens? Tente se quiser!
— Você...
— Por que estão brigando?! — Ayrton interrompeu as duas.
— Filho, você chegou na hora certa. Veja só, olha a hora e ela ainda não fez o jantar, está esperando que eu faça para ela comer! Onde já se viu uma nora assim?
Catarina viu que Ayrton tinha voltado e, como se visse um salvador, agarrou-o rapidamente.
— Ayrton, olha a sua mãe. Ela quer que eu cozinhe, mas eu sou uma dondoca que nunca tocou em uma panela! Ela ainda me xingou, isso é demais... Buááá... Você tem que me defender! Nossa casa não pode contratar uma empregada?
— Você ainda quer contratar empregada! Sabe quanto custa uma empregada na capital hoje em dia? Você não tem noção nenhuma das coisas?
— Parem de brigar! — Gritou Ayrton asperamente.

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