— Fique de pé. Por que está rastejando? — Disse ele novamente.
Antes disso, como membro do octógono, pessoas com o status dela não tinham o direito de ficar de pé.
Fosse para andar ou qualquer outra coisa, elas se moviam rastejando.
Como animais.
Se fosse pega de pé, seria punida.
Aquela foi a primeira vez que ela se levantou.
Sentiu-se estranha, desacostumada.
Parecia que nunca tinha sido tão alta.
Antes, ela sempre mantinha a cabeça baixa, humilde como a poeira, sem ousar olhar para os outros.
— Pode ir. Você está livre! — Disse Isaque Domingos depois de um tempo.
Ela ficou chocada.
Sempre quis fugir do octógono, mas nunca teve sucesso.
Desta vez, foi tão fácil.
Ela não conseguia acreditar que era verdade.
Devia estar sonhando.
Só depois que Isaque Domingos foi embora é que ela reagiu e correu atrás dele.
Isaque Domingos se virou:
— Não mandei você ir embora?
— Por que está me seguindo?
— Eu... eu não tenho para onde ir.
— Não tenho família.
Ela era órfã, vendida desde pequena para aquele lugar de treinamento.
— Quer voltar para o seu país?
— Se quiser, mando alguém levá-la.
— Eu quero, mas... prefiro seguir você.
— Já que você me comprou, sou sua agora.
Isaque Domingos sorriu de repente.
— Minha?
— Mas eu não preciso de você.
— Eu a salvei apenas porque tive um súbito acesso de consciência.
Naquele momento, ela paralisou.
Porque o sorriso de Isaque Domingos era lindo demais.
— Por que está me olhando assim?
— Tenho algo no rosto?
— Não... não é isso.
— O senhor é muito bonito. — Disse ela, baixando a cabeça.
— Qual é o seu nome?
— Sessenta e oito.
— Sessenta e oito? — Isaque Domingos franziu a testa.
— Sim, porque eu sou a número sessenta e oito.
Ela tinha ficado presa no octógono por muito tempo.
Não entendia as complexidades das relações humanas.
Só depois de conviver muito tempo com Isaque Domingos é que aprendeu como as pessoas interagiam.
Ela sempre considerou Isaque Domingos seu benfeitor.
— Srta. Helena, pelo diretor Domingos, eu posso dar a minha vida.
— Mas eu sei que não sou digna dele.
— E nem penso nessas coisas.
— Só preciso que ele esteja seguro e bem.
— Vou protegê-lo e cuidar dele por toda a minha vida.
— Você consegue me entender?
Alana contou todo o seu passado.
Helena não imaginava que Alana e Isaque Domingos tivessem uma história assim.
Ela segurou suavemente a mão de Alana.
— Eu entendo, Alana.
— Você é incrível.
— Isaque Domingos tem sorte de ter você ao lado dele.
— Me dê esses documentos.
— Eu vou cuidar disso.
— Isaque Domingos precisa de repouso agora, não vamos incomodá-lo.

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