Em seguida, outro homem apareceu.
Ele entregou um maço de notas à mulher.
A vendedora contou o dinheiro.
Satisfeita, ela virou as costas e foi embora sem olhar para trás.
O homem voltou-se para Helena.
— Se você for inteligente, virá conosco. Vamos ajudá-la a ficar rica, mas se tentar resistir, morrerá aqui mesmo.
— Tudo bem, eu obedeço. Quero ficar rica com vocês. — Respondeu Helena, que não desejava outra coisa.
Sendo assim, ela os acompanhou para o interior do complexo.
Antes de qualquer coisa, realizaram uma revista minuciosa nela.
Perceberam que ela não carregava nenhum celular.
— Onde está o seu telefone?
— Eu o perdi.
— Não tem passaporte nem identidade?
Helena balançou a cabeça negativamente.
— Não. Fui assaltada, e é por isso que fiquei sem saída.
O homem não desconfiou de nada.
Ele acenou com a mão, ordenando que a levassem para baixo.
— Já é muito tarde e o gerente encerrou o turno. Fique aqui por hoje, chamaremos você amanhã! — Disse o sujeito, empurrando Helena para dentro de um quarto.
Ele jogou-lhe um conjunto de roupas.
O uniforme, composto por camisa de manga curta e bermuda, além de um par de chinelos, servia para facilitar o controle dos prisioneiros.
Havia mais de vinte pessoas naquele cômodo.
Todos dormiam em colchões improvisados no chão.
Homens e mulheres dividiam o mesmo espaço.
A principal característica daquelas pessoas era o estado deplorável em que se encontravam.
Ninguém ali estava ileso.
Havia feridas nos rostos, nos braços, nos pescoços e nas pernas.
Absolutamente ninguém ostentava uma pele intacta.
Helena segurou seus pertences.
Ela avistou um espaço vazio no canto e caminhou até lá.
Os demais ocupantes a observavam com um olhar carregado de tristeza.
Era como se pensassem que mais uma infeliz havia caído na armadilha naquele dia.
— Você?
O mundo era mesmo um ovo.
Encontrar uma velha conhecida num lugar como aquele era absurdo.
Emília viu que Helena também havia sido presa.
Um sorriso amargo despontou em seu rosto machucado.
— Helena, que coincidência. Nos encontrarmos neste fim de mundo. Eu jamais imaginei que você também acabaria aqui.
— É, muita coincidência mesmo. Mas como você veio parar aqui?
Tempos atrás, após a grande batalha contra a Sirius, Helena estava vulnerável e foi encontrada por Emília.
Emília pretendia vendê-la para traficantes de órgãos no país K.
E, no fim das contas, foi a própria Emília quem acabou capturada.
— Fui enganada. Um sujeito fingiu ser muito rico, comprou várias coisas para mim e disse que iríamos viajar juntos. Ele me dopou. Quando acordei, já estava neste lugar, e então percebi que ele tinha me vendido.
Helena soltou uma risada de desdém.
— Depois de ser enganada por tantos homens, você ainda não aprendeu a lição?
A fúria tomou conta de Emília de forma abrupta.
— Quem você pensa que é para me dar lição de moral? Se você não tivesse roubado tudo o que era meu, eu jamais estaria nesta situação! Você é a minha ruína, foi você quem destruiu a minha vida!

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