— Por que eu não poderia? Fiquem aqui e esperem. Vou mandar ele vir agora mesmo. Se ele não aparecer, podem fazer o que quiserem comigo. O alvo de vocês sou eu de qualquer jeito, não é?
Um dos homens achou que Helena estava blefando e disse, com tom de deboche:
— Beleza, vamos te dar essa chance. Garota, cuidado para não voar alto demais nas mentiras. Nem nós conseguimos ver o Sr. Tomás. Acha mesmo que ele viria por causa de uma ligação sua?
— Se não acreditam, é só esperar para ver. Mas antes vou mandar minha amiga ir embora, isso não tem nada a ver com ela!
— De jeito nenhum! E se ela for na delegacia? As duas ficam aqui!
Helena não perdeu mais tempo com eles. Pegou o celular e ligou para Tomás.
— Chefe! Chefe! Eu estava prestes a te ligar e você me liga! A gente tem mesmo uma conexão de almas! — Tomás estava eufórico.
— Corta o papo furado. Vou te mandar a localização. Vem para cá agora.
Com a ordem de Helena, Tomás não perdeu um segundo.
Em poucos minutos, ele chegou correndo.
— Chefe, chefe! — Tomás se aproximou, puxando a barra da blusa de Helena, com um biquinho manhoso.
— Chega. Tem um monte de gente aqui, se controla. Os seus homens vieram arrumar problema comigo de novo.
Os bandidos caíram na gargalhada.
— Hahaha! Garota, esse cara que você chamou... Você tá dizendo que ele é o Sr. Tomás? Se for mentir, arruma alguém que pelo menos pareça!
— Pois é, parece um bebezão que não desmamou, e ainda tem a cara de pau de se chamar de Sr. Tomás!
— Você faz ideia de quem é o nosso Sr. Tomás? Ele é a própria morte encarnada. Mata sem nem piscar.
Assim que as palavras saíram, o sorriso inocente no rosto de Tomás sumiu completamente.
Ele se virou para encarar os homens, e seu olhar transbordava uma ferocidade sombria.
Parecia um lobo selvagem, com olhos afiados e sedentos por sangue.
Tomás estalou o pescoço, o som ecoando no beco, e o ar ao redor pareceu congelar.
Um calafrio inexplicável tomou conta do ambiente.
Ao verem aquele olhar, os bandidos tremeram dos pés à cabeça, o pânico tomando conta de seus corações.
A entrada da rua já estava vigiada. Ninguém iria interrompê-los.
— Piedade, Sr. Tomás! Piedade! — Eles choramingavam.
— A gente nunca mais vai fazer isso! Fomos cegos, não reconhecemos a sua grandeza! Eu errei!
— Sr. Tomás, perdoe a nossa ignorância! Por favor, poupe as nossas vidas!
Como bandidos daquele submundo, eles sabiam muito bem do poder de Tomás na Confraria do Meridiano Negro.
Os apelidos de Rei do Inferno e Demônio Maior não eram exageros.
Helena deu um passo à frente e perguntou:
— Falem logo. Quem mandou vocês aqui? Se disserem a verdade, posso poupar a vida de vocês.
Vendo uma chance de sobreviver, um deles disparou:
— Foi uma mulher. Ela estava de máscara, então não deu para ver o rosto direito. Ela nos pagou para te dar uma surra. E se possível... te humilhar e abusar de você. Esse era o combinado.

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