Tereza contou a Victor Freitas tudo o que havia acontecido no País K. A fúria tomou conta dele.
— Humberto, você realmente pagou capangas para atacar a Tereza pelas costas? — perguntou Victor, com a voz carregada de raiva.
— Irmão... eu... eu juro que não...
— Tio Humberto, ainda não vai admitir? — interrompeu Tereza, fria. — Então não me culpe quando eu jogar as provas na sua cara!
O rosto de Humberto perdeu a cor. Ele abaixou a cabeça, apavorado.
— Me perdoa, irmão! Eu fui um idiota!
— Você... você teve coragem de tentar matar a sua própria sobrinha! — A voz de Victor tremia de decepção e ódio. — Eu sempre fechei os olhos para as merdas de vocês. Mas armar contra a minha única filha? Isso é nojento!
Humberto desabou de joelhos no chão, tremendo.
— Me perdoa, irmão! Eu perdi o juízo! Foi a minha mulher quem me convenceu a fazer isso, eu juro! Eu nunca quis machucar a menina!
Gustavo, o irmão mais novo, percebeu a mudança de ares e logo apontou o dedo para Humberto.
— Você passou de todos os limites, Humberto! A Tereza é nossa sobrinha, a única herdeira do nosso irmão mais velho. Como você teve coragem de fazer uma barbaridade dessas? Você é um monstro!
Tereza soltou uma risada seca e sem humor.
— Não se faça de santo, tio Gustavo. Vocês dois são farinha do mesmo saco. Acha que eu esqueci as vezes que você contratou gente para sabotar o meu trabalho na empresa? Quando eu fui cobrar aquela dívida e você pagou os seguranças deles para me darem uma surra... acha mesmo que eu não sei?
Os olhos de Victor faiscaram, cravando-se em Gustavo.
— Então você também está no meio dessa sujeira, Gustavo!
Gustavo não pensou duas vezes. Caiu de joelhos ao lado do irmão.
— Irmão, foram os meus subordinados! Eu não tive nada a ver com isso! Quando eu descobri, já era tarde demais! Eu juro pela minha vida, eu nunca quis o mal dela!
— Pai, o senhor está bem? Pai! — Tereza correu para ampará-lo.
— Eu estou bem.
Ele segurou as mãos da filha com força.
— Filha... me diga a verdade. O seu tio Humberto realmente mandou matar você no País K?
— Sim.
— E você tem mesmo as provas? Me entregue. Se isso for verdade, eu vou destruir os dois!
Por mais que ele valorizasse os laços de sangue, ninguém tocava na sua menina. Ninguém.
— Pai, eu blefei. — Ela sorriu fraco. — Não tenho prova nenhuma. O País K é um caos, seria impossível conseguir algo contra ele lá. Mas eu sabia que tinha dedo dele. Eu só joguei verde, e a consciência pesada o fez confessar.

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