O colega ergueu o polegar, impressionado.
— Cara, você é um monstro de frio! A mulher vai assumir um império bilionário e você age como se fosse terça-feira. Respeito!
Hector não sabia se era um elogio ou sarcasmo.
Mas a verdade era que ele estava pirando por dentro.
Se Antonieta ia ser a CEO, o mínimo que ele merecia era uma diretoria, ou o cargo de vice-presidente!
Era o passaporte direto para a elite!
Passou a manhã inteira no mundo da lua, desenhando seu futuro de magnata.
No andar superior, Tereza estava trancada na sala de reuniões desde cedo.
Depois de transferir o poder oficialmente, Victor Freitas a deixou conduzir as operações sozinha e saiu.
Ao voltar para a sua sala, mandou chamar Iran Alves.
— Queria me ver, Sr. Presidente?
— Iran, meu filho. Em particular, não me chame de presidente. Me chame de tio. Ou de pai, se preferir.
Iran ficou em silêncio.
— Hahaha, não fique tenso. — Victor sorriu, paternal. — Eu sempre te vi como um filho. Te chamei aqui porque nós precisamos conversar. Eu já soube de todos os detalhes sobre o que houve no País K. Se a minha filha está viva e de volta para casa, o mérito é todo seu e da Helena.
Victor suspirou, satisfeito.
— E essa tragédia serviu para forjar o caráter da Tereza. Ela amadureceu de forma brutal. Graças à proteção que você deu a ela. Hoje, ela tem um coração de aço. Só assim eu me senti seguro para entregar as chaves do império e me aposentar em paz.
Ele fez uma pausa e encarou o rapaz.
— Meu plano original era oficializar o casamento de vocês dois assim que ela tomasse posse. Mas, como você viu, a cadeira da presidência é pesada. Ela está com as mãos cheias, organizando a casa. Então, vamos ter que adiar os planos do casório por enquanto.
— Sr. Freitas, não há pressa. — Iran respondeu, cauteloso. — Mas, sobre o casamento... acho que a opinião da Tereza é o que mais importa. Se ela não quiser...
— Bobagem! — cortou Victor, categórico. — Em qualquer outro assunto eu deixo ela fazer o que bem entender. Mas isso não. Você é o genro que eu escolhi, e não aceito substitutos. Além disso, esse foi um pacto de honra firmado entre mim e o seu falecido pai. Eu não vou manchar a palavra que dei a ele.
Assim que pisou no corredor principal, deu de cara com Iran Alves.
— Aonde você pensa que vai? — Iran cruzou o corredor, bloqueando a passagem.
— Sai da minha frente, Iran Alves. E dobre a língua para falar comigo. Sabe com quem está lidando?
— Hum. E quem seria a vossa majestade? — Iran sorriu, achando graça.
— Eu sou... — Hector quase engasgou, mas logo lembrou que a sua mulher era a dona do prédio. — Eu vim procurar a CEO!
— A CEO? Puxa, as fofocas correm rápido lá embaixo. Já descobriram que o presidente passou o bastão para a filha dele, é?
— Pois é! Então saia do meu caminho! E se quiser o meu perdão, ajoelhe e beije os meus sapatos agora!
Iran piscou, incrédulo.
— Você cheirou alguma coisa estragada hoje? Por que eu me ajoelharia para um lixo como você? O fato de a filha do presidente assumir a empresa muda o que na sua vida patética? Até parece que a empresa foi passada pro seu nome.
— Idiota! Eu sou o namorado da Antonieta! Agora que ela é a dona disso tudo, é bom você começar a me tratar como o seu novo chefe!

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