"Senhor, eu mandei mensagem para a senhora e ela não respondeu. Liguei para ela, o telefone chama, mas ninguém atende. Já faz 24 horas que a senhora desapareceu. O senhor acha melhor chamar a polícia?"
O tom de Bruna era de grande preocupação.
Ela ainda não tinha voltado...
"Sr. Naia, a reunião vai começar em breve."
Sávio o lembrou ao lado.
Virgílio então disse ao telefone: "Ela só ficou um dia fora de casa, não precisa exagerar."
"Senhor, não estou exagerando, mas a senhora nunca ficou tanto tempo longe de casa."
Virgílio se levantou, recolhendo os documentos da reunião com uma mão, e disse distraidamente: "Júlio está em casa, para onde mais ela iria? Daqui a pouco ela volta."
Assim que terminou de falar, Virgílio desligou o telefone.
"Senhor..."
Do outro lado, o sinal de chamada interrompida soou, e Bruna guardou o celular, resignada.
No horário do almoço, Leonor fez questão de pedir um almoço especial no Restaurante Rio Dourado e levou até a escola de Júlio.
O porteiro avisou à professora de Júlio que a mãe dele havia chegado e pediu que Júlio fosse buscar o almoço.
Ao saber que a mãe tinha vindo lhe trazer comida, Júlio ficou muito animado.
Ele sentia muita falta da comida feita pela mãe e correu imediatamente.
Perto do portão, de repente se lembrou: se visse a mãe e o porteiro percebesse que ela era muda, poderia acabar sendo motivo de chacota entre os colegas.
O desejo de comer a comida da mãe sumiu na hora.
Se ao menos a mãe tivesse uma voz bonita como a da irmã Leonor, pensou ele.
Júlio decidiu voltar para a sala de aula.
Nesse momento, o porteiro o viu e abriu o portão para Leonor entrar.
Afinal, ela era esposa de Virgílio, e ele não ousava ser descortês.
Leonor entrou pelo portão e logo avistou Júlio.

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