Virgílio pensou no passado e sentiu-se culpado, achando que devia muito a Leonor.
Se realmente acontecesse alguma coisa com Lúcia, e isso chegasse aos ouvidos do Velho Senhor, seria prejudicial para Leonor.
Virgílio apagou o cigarro no cinzeiro. "Fique aqui com o Júlio para mim, vou sair para procurá-la."
Virgílio pegou o paletó e saiu de casa.
Dizer que ia procurar era força de expressão; na verdade, ele não fazia ideia de onde Lúcia poderia estar.
Após sair de carro, ele parou no acostamento e ligou para Lúcia.
Ligou três vezes, mas Lúcia não atendeu.
Os olhos, antes tão brilhantes de Virgílio, tornaram-se ainda mais sombrios.
Ele então ligou o carro novamente e dirigiu até um shopping próximo.
Naquela tarde, Lúcia tinha ido visitar o túmulo da avó e percebeu que havia muitos arbustos e mato crescendo ali.
Comprou ferramentas e limpou o túmulo cuidadosamente, só então retornando para casa.
Quando ouviu o celular tocar, percebeu que havia saído sem ele.
Quando finalmente encontrou o aparelho, a chamada já havia caído.
Era Virgílio, que tinha ligado três vezes seguidas.
Além disso, Bruna também havia ligado duas vezes durante o dia.
Somente não havia ligações de Júlio.
O filho pequeno, afinal, não dependia tanto dela assim.
Ela sorriu amargamente, guardou o celular e não quis mais pensar no assunto.
Virgílio só retornou para casa duas horas depois.
Júlio já estava dormindo; Leonor ainda o esperava na sala e, ao vê-lo, levantou-se imediatamente.
Virgílio estava com uma expressão carregada.
Leonor franziu a testa. "Ainda nenhuma notícia da Lúcia?"
Virgílio manteve os lábios finos cerrados e respondeu com um breve murmúrio.
"Virgílio, é melhor chamar a polícia."
Virgílio não queria transformar aquilo em um escândalo.
Seu casamento com Lúcia era secreto, e ele ainda não pretendia tornar isso público.
Além disso, ele havia prometido a Leonor que, se se casasse, não revelaria a identidade de sua esposa para os outros.

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