Cícero ouviu e assentiu, enquanto a vendedora se aproximava deles.
Cícero ordenou:
— Traga mais uma peça daquele vestido que ela estava usando.
A vendedora ficou um pouco constrangida, mas respondeu educadamente:
— Senhor, aquele vestido que ela estava provando é a última peça. O estoque desse modelo já era limitado. Se gostarem, posso recomendar outros estilos similares da loja para vocês olharem.
Enquanto a vendedora falava, outras funcionárias agilmente colocaram modelos parecidos na arara e os empurraram para a frente de Cícero e Weleska.
Cícero olhou para os vestidos à sua frente e virou a cabeça para Weleska:
— Veja se gosta de algum destes.
Weleska não se conformou; ela olhou para os vestidos, mas não queria outro.
Ela não queria nada diferente, ela queria exatamente aquele que Eduarda estava usando. O objetivo era competir com a Eduarda e encurralá‑la.”.
— Eu não gosto muito destes. Aquele que a Eduarda vestiu faz mais o meu estilo. — Disse Weleska com os olhos marejados, se apoiando em Cícero
— Cícero, você pode pedir para a Eduarda ceder o vestido para mim? Por favor.
A sobrancelha de Cícero moveu-se ligeiramente por um instante, mas logo voltou ao normal; ele não suportava recusar um pedido de Weleska.
Ele também não queria ver Eduarda usando um vestido que havia sido elogiado por outro homem.
Cícero sentia como se alguém estivesse se apossando de algo que era dele, e aquilo o desagradava.
Cícero assentiu lentamente para Weleska.
— Cícero, você é o melhor para mim. — Weleska sorriu e segurou a mão de Cícero, entrelaçando os dedos.
Eduarda, após trocar de roupa, abriu a porta do provador e entregou o vestido para a vendedora que aguardava ao lado.
— Por favor, pode empacotar para mim.
A vendedora segurou o vestido, visivelmente em um dilema. Eduarda percebeu a hesitação e olhou para frente com curiosidade.
Cícero caminhava em sua direção, parou à sua frente e disse:
— Escolha outro. A Weleska gostou desse vestido.
Eduarda entendeu instantaneamente o que aquilo significava.
Certamente Weleska disse que queria o vestido, então mandou Cícero tomá-lo dela.
Weleska realmente nunca se cansava desses joguinhos.
Eduarda vestia seu casaco e arrumava o cabelo no espelho, sem olhar para Cícero enquanto falava.
Seus movimentos eram distantes e frios.
Cícero quase podia sentir fisicamente o distanciamento dela.
— O Sr. Machado continua muito generoso com a amante. É uma pena, mas eu não preciso de dinheiro e, certamente, não tenho o costume de ceder as coisas que eu gosto.
O tom de Eduarda era muito leve e suave. Cícero percebeu que não havia aquele tom de acusação e mágoa que costumava existir antigamente.
Ela falava como se estivesse constatando um fato trivial; não demonstrava nenhuma grande emoção em relação a ele.
Era como se ela o tratasse como alguém não muito familiar, com um distanciamento educado.
Eduarda não deveria ter essa atitude com ele.
Cícero sentiu um aperto ácido e sufocante no peito, dificultando sua respiração.
Depois de ajeitar sua aparência, Eduarda viu Franklin parado ao lado e, só então, exibiu um sorriso verdadeiro.
— Esperou muito? Vamos embora.
Cícero viu Eduarda fechar a cara para ele, enquanto para Franklin ela sorria radiante como uma flor.

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