O administrador da casa se aproximou e informou:
— Senhor, Arthur, a senhora pegou o carro e saiu logo de manhãzinha.
Cícero franziu as sobrancelhas:
— Ela mencionou para onde ia?
O homem balançou a cabeça negativamente:
— Não tenho certeza, ela não disse uma palavra.
O rosto de Cícero sombreou um pouco mais. Ele conferiu as horas no relógio de pulso. Ainda era cedo, provavelmente Eduarda havia ido trabalhar. Mais tarde, ele e Arthur passariam lá para buscá-la pessoalmente e irem comemorar.
Com esse pensamento, ele desceu com o filho para tomarem o café da manhã, planejando sair logo em seguida para escolher o presente perfeito.
Enquanto isso, Eduarda já havia chegado ao seu estúdio. Pouco após o início do expediente, ela ligou para o gerente de Relações Públicas do Grupo Machado e fez uma reunião rápida por telefone. Depois de delegar as tarefas, voltou todo o seu foco para o trabalho de design.
Quando Pérola chegou, ficou bastante surpresa ao vê-la ali. Imediatamente pediu dois cafés quentes e entrou na sala de Eduarda.
— Bom dia! Trouxe um cafezinho para você — disse Pérola, sorrindo, ao entregar a bebida.
Eduarda sorriu de volta:
— Obrigada.
Pérola sentou-se em frente a ela, perguntando confusa:
— Achei que você não viria hoje. Por que está trabalhando em um dia tão especial?
Eduarda lançou-lhe um olhar perplexo.
— Hoje é o seu aniversário, a nossa aniversariante do dia! Você podia muito bem ter tirado o dia de folga — comentou Pérola, admirada.
Eduarda indagou:
— Você... sabia que hoje é meu aniversário?
— Claro! — respondeu Pérola, girando a xícara de café. — E não sou só eu. Todo mundo da equipe do estúdio sabe. Vou até contar um segredo: nós todos preparamos presentes para você!
Eduarda ficou momentaneamente sem palavras.
— O que foi? Ficou surpresa? — Pérola deu um sorriso maroto. — Nos últimos anos você não estava trabalhando, ficava só em casa, então nunca tivemos a chance de comemorar. Mas agora que você voltou, e sendo o seu primeiro aniversário com a gente de novo, óbvio que faríamos algo especial.
Ouvir aquilo deixou o coração de Eduarda aconchegado, como se estivesse envolvida pelo sol suave de uma manhã fresca.
Ser lembrada por outras pessoas era, de fato, uma sensação maravilhosa.
— Tenho certeza de que, desde que seja um presente escolhido com o coração, a sua mãe vai adorar — consolou-o.
Arthur pareceu entender, assentiu e, ao ver uma floricultura de luxo, entrou. Analisou a imensa variedade de arranjos belíssimos até apontar para algumas rosas azul-claras.
— Ei, garotinho, vai dar as flores para quem? Essas são rosas do Equador, muito lindas e perfeitas para presentear — disse a vendedora, inclinando-se para falar com ele.
Arthur ergueu o rosto e sorriu:
— É um presente de aniversário para a minha mãe. Acha que ela vai gostar?
Pelas roupas do garoto, a vendedora sacou na hora que ele não era uma criança qualquer. Além disso, aquelas eram as rosas mais caras da loja. Ela assentiu sem pensar duas vezes:
— Com certeza! São flores magníficas, a sua mãe vai se encantar por elas.
Arthur respondeu com um "ah" e, sem sequer perguntar o preço, disparou:
— Então, senhora, quantas dessas flores vocês têm aqui? Eu quero comprar todas para a minha mãe.
Os olhos da atendente quase saltaram:
— Todas?! Bem... nós temos muitas outras no nosso estoque refrigerado, são mais de dez mil rosas. E o preço de cada uma delas não é nada barato, viu, mocinho?

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