Não demorou muito para o secretário estacionar o carro na garagem subterrânea do hotel onde Cícero estava hospedado. Ele abriu a porta para Roberto, que ajustou o paletó antes de sair.
Guiado pelo secretário, Roberto pegou o elevador e seguiu até a porta da suíte presidencial. Com um gesto de cabeça, ordenou que o assistente batesse na porta.
Toc, toc —
O secretário bateu na porta de madeira maciça e aguardou que alguém abrisse. No entanto, minutos se passaram e nada aconteceu.
Ele olhou por cima do ombro para Roberto, que fez um sinal para que continuasse. Ele bateu de novo, mas o silêncio permaneceu.
— Presidente, parece que o Sr. Machado não está — comentou o secretário. — Será que viemos em má hora?
Roberto franziu a testa, intrigado. Será que a informação estava errada e Cícero nem sequer estava hospedado ali?
Após mais algumas batidas infrutíferas, o secretário parou, aguardando novas ordens de seu chefe.
Suspirando de frustração, Roberto concluiu:
— Vamos embora por enquanto. Voltamos outra hora.
Justo quando os dois se viraram para sair, viram alguém se aproximando do corredor, vindo direto do elevador.
O secretário adiantou-se para interceptá-lo.
— Damiano! Você veio procurar o Sr. Machado? Ele está hospedado aqui mesmo, não é?
Damiano encarou o secretário e rapidamente notou a presença de Roberto logo atrás. Sabia que não adiantaria mentir dizendo que Cícero não estava ali, pois Roberto jamais acreditaria.
Diante do impasse, não teve escolha a não ser concordar com a cabeça. Embora não fizesse ideia do que Roberto queria com seu chefe, a sua intuição lhe dizia que não era coisa boa.
Usando seu próprio cartão de acesso, Damiano destrancou a porta e convidou Roberto para se acomodar na luxuosa sala de estar da suíte.
— Presidente, por favor, sinta-se à vontade. Vou chamar o Sr. Machado — disse Damiano educadamente.
Damiano caminhou pelo corredor interno até o quarto no fim do percurso e bateu na porta. Como já esperava, não houve resposta. Após mais algumas batidas, decidiu abrir a porta por conta própria.
Lá estava Cícero, sentado no chão, encostado nas pesadas cortinas fechadas da janela panorâmica. Ao seu redor, garrafas e copos de bebida jogados revelavam o estado das coisas. Um forte cheiro de álcool empesteava o ar. O quarto estava mergulhado no escuro absoluto — o Sr. Machado, ultimamente, parecia ter se acostumado a se afogar naquela decadência sombria.

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