No trabalho, o Sr. Guerra agiu rapidamente. Entrou em contato com a Flor de Ouro Fashion, e a empresa demonstrou grande interesse nos detalhes de uma possível colaboração com a Ember.
Ainda assim, o Sr. Guerra achou a postura deles prestativa demais e resolveu alertar Eduarda.
— Ember, se o pessoal dessa empresa for do mesmo tipo daquele canalha da última vez, não perca tempo. Vá embora na hora e deixe o resto comigo.
O Sr. Guerra ainda carregava certa culpa pelo transtorno que sua falha de julgamento havia causado a Eduarda no caso anterior. Eduarda, porém, não ligava muito para isso. No fim das contas, acreditava que o problema estava no caráter de Igor Gattas, e não na empresa como um todo. A gerente Sabrina, por exemplo, era uma excelente profissional, e o fato de não poderem trabalhar juntas tinha sido uma pena.
Eduarda não culpou o Sr. Guerra e o tranquilizou, dizendo para ele não pensar demais no assunto. O mundo corporativo era assim mesmo. Independentemente da fama ou do status de alguém, sempre existia a chance de cruzar com pessoas tóxicas ou mal-intencionadas. O importante era não deixar que esse tipo de situação a afetasse.
Assim, aquele episódio desagradável ficou para trás. A equipe do estúdio nunca foi de guardar ressentimento; preferia olhar para a frente e buscar novas oportunidades.
O Sr. Guerra já tinha aconselhado Eduarda a voltar para o Brasil para desenvolver a carreira, já que a base principal de contatos estava lá. Além disso, sua mentora, Zenilda Figueiredo, tinha grande influência no mercado brasileiro, o que tornava essa escolha ainda mais segura.
Mas Eduarda ainda não tinha planos de voltar para seu país de origem.
As lembranças de lá eram pesadas demais. O divórcio, o acidente... tudo trazia à tona uma angústia com a qual ela não queria lidar. Não queria voltar e ser puxada de novo para aquele ambiente carregado. A vida no exterior não estava sendo nada ruim. Tinha Franklin ao seu lado, cuidando de tudo para agradá-la e garantindo que ela se sentisse bem.
Sem falar que morar no exterior facilitava seus tratamentos e retornos periódicos ao hospital para as revisões. Por enquanto, ficar ali parecia a melhor escolha.
O Sr. Guerra não insistiu e apenas seguiu as instruções dela.
Em pouco tempo, ele agendou uma reunião presencial com a Flor de Ouro Fashion. O encontro foi marcado para a manhã de dois dias depois.
Quando o dia chegou, Eduarda saiu de casa com bastante antecedência.
Franklin preparou o café da manhã, como de costume. No entanto, depois da refeição, Eduarda estranhou o fato de ele não ter se oferecido para acompanhá-la.
Ele apenas a acompanhou até a porta e observou enquanto ela se acomodava no banco do motorista. Ela abaixou o vidro, apoiou as mãos no volante e perguntou em tom de brincadeira:
— Por que você não está preocupado comigo hoje? Não tem medo de que eu encontre outro sujeito como o Igor Gattas?
Franklin sorriu e balançou a cabeça.


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