Justo quando Eduarda estava prestes a guardar a certidão na bolsa, ergueu os olhos e viu Cícero se aproximando. Imediatamente, notou que o olhar dele estava fixo no documento que ela segurava.
Ela hesitou por um momento, mas depois ergueu o papel e o balançou levemente na direção dele.
— Nossa certidão de divórcio. Ficou curioso? — perguntou com um sorriso brando.
O semblante de Cícero mudou ao ouvir aquilo, escurecendo como se uma tempestade estivesse prestes a desabar.
Nesse momento, o velho mordomo entregou outro envelope a Cícero, contendo a cópia dele do documento.
Cícero apertou a pequena caderneta vermelha com tanta força que seus dedos quase a amassaram, até que a voz de Eduarda o interrompeu.
— Não estrague isso. Não pretendo ir com você tirar segunda via.
Eduarda guardou o seu documento na bolsa e ajeitou os longos cabelos escuros e brilhantes. De repente, o telefone dela tocou. Ela atendeu e caminhou em direção à saída da Praia Dourada, levando seus pertences.
Cícero observou suas costas se afastando sem a menor hesitação, e um gosto amargo e inexplicável invadiu o seu peito.
Ele se virou para o mordomo e perguntou:
— Quando isso foi feito?
O velho mordomo sabia muito bem a que ele se referia.
E respondeu com sinceridade:
— Na época em que a Sra. Barbosa sofreu o acidente e o senhor estava devastado. O prazo legal do processo já tinha passado, então o patrão acionou seus contatos para emitir a certidão, mesmo sem a presença de vocês.
Cícero lançou-lhe um olhar cortante e gelado.
— Obviamente, aos seus olhos isso pode parecer irregular. Mas, como o senhor sabe, as ordens do patrão têm muito peso.
Pela lei comum, seria impossível expedir o documento sem a presença dos envolvidos, mas essa regra se aplicava apenas às pessoas comuns.


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