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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 749

Eduarda soltou um riso curto ao ouvir aquilo:

— Se você tem tanto tempo livre, por que não assume você mesmo a presidência da Fundação Beneficente Machado? Por que precisa dar essa volta toda e me usar?

Cícero olhou fixamente para o rosto dela, perguntando com sinceridade:

— Você realmente não sabe o motivo?

Ela abaixou a colher de sopa, devolvendo o olhar para ele e disse:

— Eu sei. É para me dar um status consolidado dentro da sua família Machado. Se eu conseguir reerguer a Fundação, pareceria algo extremamente benéfico, tanto para toda a família Machado quanto para mim, mas... — Os lábios de Eduarda curvaram-se em um leve sorriso. — Você ignorou um detalhe: eu não tenho o menor interesse nisso.

— Sem falar que a minha carga de trabalho atual já é bem pesada, mesmo que eu tivesse tempo livre, eu gostaria de aproveitá-lo para curtir a vida, tomar chá, plantar flores. Isso não é muito mais confortável do que ficar lutando por poder no mundo dos negócios? Por que eu procuraria sarna para me coçar?

O que ela disse não era mentira. Embora tivesse horários flexíveis, o volume de trabalho que tinha que lidar só aumentava. Um dos motivos era a enorme quantidade de instituições, tanto no país quanto fora, nas quais seu nome estava vinculado. Os projetos que exigiam a sua avaliação e aprovação não paravam; se ficasse um único dia sem resolvê-los, no dia seguinte o volume já teria dobrado, se acumulando como uma montanha.

Além disso, atuar como designer já era, por si só, um trabalho que consumia muita energia mental. Havia momentos em que ela mal dava conta de si, então realmente não lhe restava tempo para abraçar obrigações extras.

Ela já havia alcançado a liberdade financeira. O seu trabalho atual se resumia apenas à sua grande paixão, a área do design. Se acrescentasse mais uma obrigação desgastante, como gerenciar uma Fundação, provavelmente não teria um minuto de paz, ficando completamente atolada.

E o mais crucial: tratava-se de uma Fundação da família Machado, e ela preferia manter distância de tudo que estivesse ligado a eles.

— Vou encarar a sua visita como bem-intencionada, agradeço a consideração. Pode voltar e dizer ao vovô que não tenho capacidade para assumir isso, e que ele deve buscar outra pessoa qualificada.

Cícero parecia já ter previsto que ela diria aquilo.

— Se você não quer cuidar da gestão de verdade, pode só aceitar a posição, e eu cuido do trabalho pesado. Deixa que eu faço.

— Talvez a antiga eu tivesse ficado extremamente exultante com esse cuidado, mas agora, tudo que você diz chega tarde demais. O meu coração já esfriou por completo em relação a você e não será facilmente tocado de novo.

Ela notou que o brilho nos olhos dele havia visivelmente se apagado a olho nu.

Palavras proferidas podiam tornar-se lâminas afiadas, apunhalando diretamente o coração. Naquele momento, talvez ninguém entendesse o significado real daquela frase melhor do que ele.

O peito doía, estava frio. Mas o que mais o afligia não eram aquelas palavras, e sim o fato de que a Eduarda, que antes estava disposta a se queimar para aquecê-lo, tinha desaparecido. O rosto poderia ser exatamente o mesmo, mas a alma dentro dele havia se transformado; a pessoa inteira havia se tornado outra coisa.

Será que as coisas realmente não tinham como voltar a ser o que eram?

Cícero ainda era abalado por esse pensamento, mas todas as vezes em que isso cruzava a sua mente, ele convencia a si próprio de que Eduarda não era uma pessoa tão insensível. Ela só havia esquecido do amor que sentia por ele, e ele definitivamente não deixaria ser desencorajado pela versão atual de Eduarda, que carregava memórias incompletas.

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