O secretário relatou a Roberto o que acontecia na Praia Dourada: — Vice-presidente, o pessoal de lá disse que Cícero não pode ir à mansão agora e que o velho fez questão de chamar a Eduarda. Na minha opinião, será que o velho está pensando em confiar a liderança da família a ela primeiro? Passar para ela seria o mesmo que passar para o Cícero. O que o senhor acha?
Roberto levantou-se furioso da cadeira e disse: — Exatamente, você está certo. O velho nunca me considerou em momento algum. Até nesta hora, quem ele quer ver é alguém que nem carrega o sobrenome da família.
As chamas do ódio queimavam cada vez mais fortes no peito de Roberto, consumindo toda a sua racionalidade.
— Voltemos à Praia Dourada — ordenou Roberto. — Leve a versão do testamento que nós preparamos, vou fazer o velho alterá-lo.
Quando o secretário caminhava até a porta acompanhando-o, notou uma visita inesperada.
— A senhora é a Sra. Castilho? Veio procurar o vice-presidente? — perguntou Elias.
Weleska abriu um sorriso falso: — O Sr. Roberto está?
Roberto, naturalmente, também notou a presença de Weleska. Ele se aproximou e perguntou com estranheza: — Você veio me procurar por algum motivo? Não temos muita proximidade.
— Não diga isso, tio Roberto. Já nos vimos na Praia Dourada, e no casamento da Daiane também.
Roberto não entendia a intenção de Weleska: — Peço desculpas, mas estou ocupado e não tenho como ficar colocando o papo em dia com a senhorita hoje.
Ao dizer isso, Roberto se virou para sair, mas foi interceptado imediatamente por Weleska.
— O senhor está indo para a Praia Dourada da família Machado, não é? Foi justamente por isso que vim procurá-lo hoje.
Weleska não fez rodeios e foi direto ao ponto: — O senhor tem um informante na mansão, e eu também tenho. O Dr. Lisboa é o seu homem; ele adulterou a medicação do presidente, e o presidente não viverá por muito tempo.
Roberto soltou um riso zombeteiro. Ele realmente havia subestimado aquela mulher; ela também sabia ser cruel.
Roberto testou a água: — E se eu não concordar em me aliar a você, o que faria?
Weleska respondeu pausadamente: — Se o tio Roberto me der a honra, nada acontecerá. Se não, posso até guardar o seu segredo, mas não garanto que outras pessoas o fariam.
Roberto ponderou por um momento e bateu o martelo: — Certo. Seu tio gosta de uma sobrinha assim.
Weleska curvou os lábios em um sorriso.
Eduarda, desta vez a sua vida não será tão fácil.

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