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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 884

Depois de dormir feito uma pedra em casa por dois dias seguidos, Pérola finalmente recuperou as forças.

Embora o seu corpo ainda estivesse implorando por clemência por causa da dor, claro.

Na manhã de seu retorno ao trabalho, Pérola foi ao banheiro lavar o rosto e escovar os dentes, e encarou o reflexo no espelho com atenção pela primeira vez.

Até que estava uma maravilha.

As marcas de chupão no pescoço estavam tão intensas, como se ele temesse que ninguém notasse que ela havia dormido com um homem.

Esse homem era um lobo? Precisava mesmo mordiscar o pescoço dela daquela maneira?

Ao tirar as roupas e ver seu corpo no espelho, Pérola respirou fundo mais uma vez e colocou rapidamente o sutiã e uma blusa de lã de gola alta.

Todas as suas zonas sensíveis estavam cobertas por chupões.

Não é à toa que se sentiu tão dolorida; ela foi basicamente devorada por ele!

Aquele homem parecia que pertencia a outra espécie!

De qualquer forma, por ora, ele estava bem longe.

Mesmo a gola alta não foi o suficiente para cobrir completamente os hematomas no pescoço, então ela precisou arrastar um cachecol grande do armário e enrolar firmemente no pescoço.

— Pérola, o que aconteceu com você? Pegou um resfriado? Está cheia de roupas — perguntou Jade, uma das colegas.

Pérola balançou a cabeça feito alguém que foi pego no flagra:

— Não, não!

— Então o que é? Se não está se sentindo bem, vai ao hospital. Não pode enrolar, sabe?

Preocupada, Jade pegou um termômetro. Como elas eram próximas, tentou colocá-lo diretamente dentro da roupa de Pérola. Pérola deu um salto que quase a jogou dois metros para trás.

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Pérola e Jade ficaram se encarando, o termômetro balançando desajeitadamente sem saber para onde ir.

Pérola soltou uma risada nervosa:

— Não é nada, sério. Só esfriou um pouco, vim mais agasalhada.

— Frio? O ar-condicionado aqui do estúdio está em 28 graus, eu quase estou virando vapor — brincou Jade. — Você não tá com calor mesmo não?

— Não... Hahaha... Calor nenhum... Na verdade eu mal sinto o calor...

Ela estava queimando.

Prestes a explodir de calor, de fato.

Mas não era questão de querer tirar!

— Nesses últimos dois dias, eu me senti mal e só dormi em casa! Não fui para nenhum lugar!

Eduarda assistiu as justificativas afobadas de Pérola e logo quis provocá-la.

— Mas o que aconteceu de tão grave? Com tanta roupa... É resfriado que não passou, febre? Deixa eu ver.

— Eu já melhorei! — Pérola voltou a criar distância entre as duas e protegeu seu cachecol e gola alta com a própria vida. — Agradeço a preocupação, mas estou perfeitamente ok, de verdade.

Eduarda soltou um gracejo:

— Não faça cerimônia comigo. Se ainda não se sente bem, deite-se por mais dois dias. Por mim tá ok também.

— Não, não. Se eu continuar me deitando, eu vou morrer.

Ficar largada e espalhada pela cama por dois dias inteiros, após ter deitado tanto com Augusto dias atrás... Bem, não foi só na cama. Também deitaram no tapete e na banheira...

As recordações que a faziam queimar de vergonha explodiram como uma avalanche. As mãos de Augusto a prendendo na cama, a respiração ardente soltando fagulhas por toda sua orelha e a sensação entorpecente que se seguia.

Que coisa!

Pérola balançou a cabeça de forma frenética; o que raios ela estava revivendo!

Uma noite! Uma simples noite! O que significava isso? Algo que devia ser esquecido no instante em que acabou! Ela não podia ficar relembrando os detalhes!

Pérola! Por mais que a resistência do Augusto tenha sido fantástica, e ele mande muito bem... o abdômen também era ótimo, e o rostinho bem atraente, mas! Você por acaso é o tipo de pessoa que cede a prazeres fúteis para esquecer de seus princípios?! Você é uma mulher culta de formação superior! As prioridades em sua cabeça deveriam ser como construir uma bela sociedade e contribuir para ela, como é que sua mente só pensa em putaria?!

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