Ethan Mitchell sempre tinha sido o tipo de cara que preferia paz e silêncio. Festas, reuniões, eventos na praia — nada disso era a cara dele. Até os eventos da empresa faziam com que ele inventasse uma lista inteira de desculpas só para escapar. Mas, desta vez, ele aceitou sem nem piscar.
Clara Bennett ouviu aquilo e não conseguiu evitar a dúvida que surgiu em seu peito, mas a decisão era de Ethan. Ela não tinha motivo nenhum para interferir. Além disso, a situação naquele momento já era constrangedora o bastante; mesmo que quisesse falar, as palavras não saíam.
Jack aceitou a resposta em nome de Ethan com um leve aceno, embora seus olhos ainda se desviassem instintivamente para o quarto. Ethan imediatamente deu um passo para o lado, bloqueando discretamente sua linha de visão, como se estivesse apavorado que Jack visse sem querer algo que não devia.
Jack entendeu na hora. Ficou rígido e recuou depressa, com as mãos levemente erguidas, como se estivesse provando sua inocência. “S‑Sr. Mitchell, o senhor aceitou, mas… mas a Sra. Mitchell…”
Ethan olhou para o volume debaixo do cobertor — Clara basicamente era um não garantido. Mas ele tinha seus meios.
“Você pode sair primeiro. Precisamos nos arrumar.”
Jack assentiu várias vezes e saiu de fininho.
Clara ouviu os passos se afastarem, depois o clique suave da porta se fechando. Os passos de Ethan se aproximaram, firmes e sem pressa. Ela se encolheu debaixo do cobertor, o coração batendo rápido demais sem motivo algum.
No segundo seguinte, o colchão afundou levemente quando Ethan se sentou ao lado da cama. Sua voz baixa atravessou o silêncio. “Você ouviu o que eu disse agora há pouco, certo? Levante e vá se arrumar.”
“Eu não vou!”
Clara respondeu sem pensar, com frustração na voz. “Ainda tenho coisas para fazer. Se você quer ir, então vá sozinho!”
“Você acha que é mais ocupada do que eu?”
O tom de Ethan ficou frio num instante, completamente diferente de momentos antes — cada palavra afiada e sem emoção.
“Você é ocupado, tudo bem, mas isso não significa que as coisas dos outros não importem, então—”
Ele nem a deixou terminar. “Então você está tranquila em nunca descobrir onde aquela foto foi parar, certo?”
“Você—”
Ele estava ameaçando ela?
Clara se ergueu de repente debaixo do cobertor, esquecendo instantaneamente de como estava naquele momento. Só quando percebeu os olhos de Ethan pousados nela de um jeito muito óbvio é que se deu conta — e entrou em pânico —, puxando o cobertor para se cobrir. Suas bochechas ficaram vermelhas.
“Ethan Mitchell, você… você está passando dos limites! A gente se vê todos os dias. Não tem medo de um dia precisar da minha ajuda?”
Ethan soltou uma risada baixa e se inclinou antes que ela pudesse reagir. Clara instintivamente tentou recuar, mas a mão dele subiu, segurando a parte de trás da cabeça dela. A respiração dele tocou sua pele, quente e perto demais, a distância entre os dois quase inexistente.
"Você acha mesmo que vale alguma coisa para mim além daquela única coisa?"
No instante em que Clara Bennett ouviu Ethan Mitchell dizer aquilo, seu rosto inteiro escureceu. Então era isso. Desde o começo, aos olhos dele, seu único valor era esse? Nada mais?
Bang!
A raiva subiu direto pela sua coluna. Ela não fazia ideia de onde veio a força, mas empurrou Ethan com força, fazendo-o cambalear contra o armário. No quarto silencioso, o baque surdo soou especialmente duro.
Ethan soltou um gemido baixo, as sobrancelhas franzidas com força. Quando levantou a cabeça para olhar para ela, seus olhos já ardiam de irritação. Claramente, aquele empurrão tinha passado dos limites para ele.
Ele se levantou da cama num movimento brusco, foi direto até a janela e, sem nem se virar, disse num tom frio e cortante: "Você tem dez minutos. Arrume suas coisas. Vamos sair."
Os dedos de Clara se fecharam com força ao redor do cobertor. Ela se recusava a continuar deixando Ethan tratá-la como algum objeto sem emoção que ele podia usar quando quisesse. Mas… aquela foto. Aquela foto era importante demais. Ela já estava ali — se desistisse agora, tudo o que tinha suportado antes teria sido em vão.
Não. De jeito nenhum.
Ela murmurou para si mesma em pensamento, tentando se acalmar. Fosse lá o que tivesse que acontecer entre eles, já tinha acontecido mesmo. Uma vez a mais ou uma a menos não faria diferença. Desde que conseguisse aquela foto, talvez finalmente descobrisse alguma coisa — qualquer coisa — sobre seus pais. Talvez até pudesse encontrá-los. Não importava como calculasse, esse acordo não era uma perda.
Com esse pensamento, Clara respirou fundo, afastou o cobertor e saiu rapidamente da cama. Foi até o banheiro, se lavou, vestiu roupas limpas e depois caminhou até a porta. Ela olhou para Ethan e disse: "Estou pronta. Já podemos ir."
"O vento lá fora está forte. Talvez isso faça você se sentir um pouco melhor."
Clara piscou. "...Debaixo desse sol enorme e escaldante? Está com medo de eu pegar um resfriado ou algo assim?"
Ethan esfregou o nariz, sem jeito. "O sol está forte. Você pode se queimar. Isso pode ajudar um pouco."
Clara respondeu com um "Ah" baixinho, deixando a discussão de lado. Tudo bem. Pelo menos assim ela se sentia menos exposta.
Logo, os dois atravessaram o corredor e pisaram na praia.
À frente deles se estendia uma faixa de areia dourada, as ondas quebrando em um ritmo constante, a brisa do mar trazendo um frescor salgado e agradável. Sob a luz intensa do sol, as pessoas estavam deitadas em espreguiçadeiras, se bronzeando, tomando água de coco, vivendo a melhor vida possível.
Clara seguiu atrás de Ethan. No instante em que apareceu, inúmeros olhares se voltaram para ela. Alguém no meio da multidão até soltou um suspiro alto.
Ela nunca tinha estado nesse tipo de holofote antes. Aqueles olhares a deixavam desconfortável, e, com Ethan bem ao seu lado, o constrangimento dobrava.
"Hum… estou meio com sede. Você poderia talvez ir ali pegar um coco para mim…?"
Clara se aproximou um pouco mais dele. Ethan olhou para trás. Não disse que sim, mas ainda assim caminhou em direção à barraca de cocos.
Só depois de vê-lo se afastar é que Clara finalmente soltou um suspiro profundo. Sem Ethan rondando por perto, a pressão sobre seus ombros diminuiu.
Então ela avistou um guarda-sol grande não muito longe, com uma cadeira reclinável embaixo. Se ficasse deitada ali quietinha, talvez não fosse tão constrangedor.
Ela mal tinha se sentado quando várias pessoas se aproximaram para puxar conversa. Um rapaz jovem e ousado até tentou pedir o contato dela.
…

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