E também se parecia muito com Palmiro:
Hipócrita, malvada, mentirosa, com grande talento para encenações e dissimulações.
Mesmo sendo apenas uma criança.
Deise suspirou baixinho, antes de vestir uma máscara com um sorriso amigável.
— Já que você é tão apegada ao seu tio, que tal chamá-lo de pai daqui para frente?
Beatriz arregalou os olhos, em choque.
— É sério que eu posso?
— É claro que sim! Afinal, a Beatriz é uma menina muito obediente e ajuizada! E é só um jeito de chamar. Se quiser chamá-lo assim, chame!
Ao escutar a permissão de Deise, Beatriz começou a pular e dançar de tanta felicidade.
— Viu só, viu só?! Eu disse que não sou igual a você, Mariana!
Para Deise, aquela celebração exaltada onde Beatriz falava sozinha parecia uma luta contra um inimigo imaginário.
— Por falar nisso... por que a Mariana não tem pai? O pai dela também faleceu?
Assim que Deise perguntou, viu Beatriz balançar a cabeça com firmeza.
— Os pais dela se divorciaram.
— Divorciaram?
— Isso, os pais da Mariana se separaram e agora ela vive só com a mãe.
— Ah, entendi...
A mente de Deise não pôde deixar de resgatar a imagem enfurecida da mãe de Mariana.
— Tão novinha... deve ser terrível ter que morar com uma mãe daquelas.
Originalmente, Deise apenas fez um comentário casual, mas Beatriz respondeu indignada:
— Ela não é coitadinha nada! Bem feito para ela! Quem mandou ela ficar dizendo que éramos iguais porque nenhuma das duas tinha pai? Isso é um castigo de Deus para ela!
Ao ouvir aquilo, Deise compreendeu o verdadeiro motivo de Beatriz maltratar Mariana.
Ela supôs que, no começo, Mariana só havia dito aquilo tentando fazer amizade com alguém que parecia compartilhar da mesma dor.
Mas, sem saber, acabara tocando exatamente na ferida de Beatriz.
Portanto, o bullying que Beatriz praticava contra Mariana era tanto uma forma de descarregar a própria frustração, quanto uma maneira de rejeitar o rótulo de 'não ter pai'.
Contudo, para Deise, motivo algum seria um escudo válido para justificar as atitudes perversas de Beatriz.

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