Ele repudiava mulheres com roupas decotadas e maquiagem pesada.
Considerava mulheres desse tipo excessivamente vulgares, transmitindo uma aura leviana e de mau gosto.
No entanto, Deise era completamente diferente.
A fantasia extravagante de Cleópatra usada por Deise exalava, de fato, a glória da nobreza e a segurança de quem sabe quem é.
A sua maquiagem marcante era a aura e a arma de uma pessoa acostumada a estar no topo.
Só de olhar para o rosto de Deise, Leandro sentiu sua própria temperatura corporal aumentar.
— Eu... Eu não devia ter olhado pelo buraco da fechadura, nem generalizado as coisas... Sem ao menos conhecer a Sra. Paiva direito, ousei falar barbaridades em público... Toda a culpa é minha, o erro foi todo meu... Sra. Paiva, estaria disposta a me perdoar?
Ao ver os olhos de Leandro marejados enquanto ele a encarava intensamente, os cantos da boca de Deise tremeram levemente.
A drástica mudança de atitude daquele homem não era um tanto absurda?
De fato, Deise acabara caindo por acidente no baile de máscaras da "Chave do Futuro". Mas, já que estava ali, pensou em procurar o responsável pelo projeto para discutir em particular as falhas que havia identificado.
Jamais imaginou que, por causa de Victória, Leandro a trataria com tamanha hostilidade, baseando-se em equívocos repetidos e sem fundamento.
Fora apenas ao ver a apresentação de "Ode à Alegria" protagonizada por Victória e Beatriz que Deise tivera o estalo: usar o piano para alertar Leandro sobre seus erros.
Aquela era, afinal, uma oportunidade de desabafar a injustiça que sofrera gratuitamente.
Mas ela não esperava que Leandro reagisse de forma tão favorável ao que ela fizera.
— Já que o seu pedido de desculpas é tão sincero, minha nobreza perdoará a ignorância alheia.
Deise abriu um sorriso gentil, lançando uma provocação leve.
Se houvesse ouvido essas palavras antes de presenciar a performance de Deise no piano, Leandro certamente a teria considerado narcisista e mal-educada.
Agora, porém, achava que a brincadeira de Deise era sagaz e encantadora.
Leandro possuía um grande nível de confiança em sua área de atuação.
Até hoje, a única pessoa cuja superioridade ele admitia era Fagner.
Em relação ao gênio farmacêutico que dominava o fórum mundial da IFPMA — "O Remédio de Schrödinger", as comparações se faziam desnecessárias.
Aquele nível não era algo que ele pudesse sequer sonhar em atingir.
Ele havia interpretado o caráter de Deise de maneira completamente errada.
Os olhos brilhantes dele agora cintilavam com um desejo ardente, deixando Deise sem saber ao certo como reagir.
O olhar dele não estaria intenso demais?
Já que dera o aviso que devia, desabafara como queria e ouvira o pedido de desculpas merecido, ela considerou que o seu papel ali havia chegado ao fim.
E no exato momento em que deu as costas para partir, Leandro agarrou subitamente a sua mão.
— Sra. Paiva, me daria a honra desta dança?
No salão, as luzes resplandeciam enquanto as taças se erguiam incessantemente em brindes e murmúrios festivos.
Sendo um dos parceiros indispensáveis da "Chave do Futuro" —
Adam, o vice-presidente da Bio Universo, finalmente marcava presença.
Retido por assuntos de negócios não concluídos, Adam havia chegado com um atraso considerável.
Mas, logo que colocou os pés no baile de máscaras, ficou boquiaberto.

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