— Sobre aquelas brechas que a Sra. Paiva mencionou antes... Eu gostaria muito de ouvir suas opiniões detalhadas. Seriam de extrema utilidade para o nosso projeto "Chave do Futuro".
O tom de Leandro era sincero, o que fez Deise suspirar de alívio.
Ela percebeu que a mudança drástica na atitude dele e aquele olhar fervoroso eram, na verdade, devido à sua profunda admiração por suas habilidades na área farmacêutica.
Se o assunto era apenas trabalho e o desenvolvimento do projeto, Deise não via razão para recusar.
Sendo assim, ela aceitou a taça de champanhe que Leandro lhe ofereceu e caminhou ao lado dele até a mesa de sobremesas.
A pouca distância dali, Palmiro observava Deise e Leandro conversando animadamente, tão distraído que nem notou que mergulhara a batata frita em molho de pimenta em vez de ketchup antes de levá-la à boca.
— Olha só para o jeito dissimulado dessa Deise. Você ainda acha que ela está totalmente devotada ao Centro de Saúde Marques?
A voz estridente de Victória irritou ainda mais o já frustrado Palmiro.
Vendo que Palmiro apenas franzia a testa em silêncio, Victória torceu os lábios, sentindo-se contrariada.
— A Deise nunca fez isso pelo Grupo Marques. Se ela se esforça tanto no projeto do novo medicamento contra o câncer, é unicamente para benefício próprio. É igual a quando ela seduziu o chefe da LifeTech Franco, depois se envolveu com o Emerson, e agora não deixa em paz nem o Leandro, com quem se encontrou apenas uma vez e a quem causou uma péssima impressão... Está nítido que ela usa os próprios encantos para conseguir o que quer nos negócios.
— Chega!
De repente, Palmiro soltou um rosnado abafado.
— Pare de falar essas coisas. Você não percebe onde nós estamos?
Victória ficou perplexa.
Quem estava envergonhando Palmiro era Deise, então por que ele estava descontando nela?!
Que lógica era aquela?!
Quando Victória abriu a boca, pronta para confrontá-lo, Palmiro deu as costas e afastou-se a passos largos.
Ele caminhou em direção a Deise e Leandro.
— Mamãe...
Ao lado dela, Beatriz chamou com sua voz infantil, puxando levemente a manga do vestido de Victória.
— O papai está bravo? Mamãe, não deixe o papai bravo, por favor. E se ele não quiser mais saber de mim?
Embora Victória achasse a postura de Beatriz um tanto decepcionante, a ocasião exigia que ela consolasse a filha.
— Fique tranquila, Beatriz, seu pai jamais a abandonaria! Você é o único sangue dele, e quando você se tornar uma grande estrela, ele será ainda mais apegado a você.
Ao proferir essas palavras, Victória sentiu uma confiança inexplicável tomar conta de si.
E era verdade!
Ela ainda tinha Beatriz ao seu lado.


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