Pareceu que Victória só percebeu que Beatriz e Palmiro haviam voltado ao ouvir o grito da menina.
Ela virou a cabeça mecanicamente e olhou para Palmiro.
— ...Eu vou embora... Vou ficar bem longe de você... e da Beatriz... A partir de hoje... nunca mais vou interferir nas vidas de vocês...
Com os olhos marejados e a voz embargada, Victória falava como se estivesse dizendo as suas últimas palavras.
Palmiro coçou a cabeça e soltou um suspiro de resignação.
— Você não precisa ir embora agora.
Victória ergueu os olhos rapidamente.
— Pelo menos, fique para ir comigo e com a Beatriz... à festa de comemoração da abertura de capital do Centro de Saúde Marques neste sábado.
— É verdade?
O rosto de Victória exibia pura descrença.
— Claro que é verdade! O papai não está mentindo, eu juro!
Ao ver Beatriz batendo no peito com convicção, as lágrimas de Victória deram lugar a um sorriso, e ela abraçou a menina com força.
— Obrigada... por ainda me querer ao seu lado...
Vendo Victória chorando e com aquele ar tão frágil e digno de pena, Palmiro simplesmente não teve coragem de dizer que só a estava mantendo por causa da festa, e que, assim que terminasse, ela seria mandada embora.
No fim, Palmiro apenas murmurou um "hum" e se retirou para o próprio quarto.
Victória acompanhou as costas de Palmiro com o olhar, sem perceber que ele estava, na verdade, fugindo.
Ela enxugou as lágrimas e um sorriso malicioso surgiu em seus lábios.
Fazer-se de vítima e chorar era, de fato, a melhor maneira de amolecer o coração de um homem.
E não é que funcionou?
Ao vê-la desolada, como se não tivesse mais motivos para viver, Palmiro não aguentou. Não apenas decidiu mantê-la por perto, como ainda a levaria para a festa de comemoração da empresa!
Quanto mais Victória pensava, mais sentia que as suas chances de substituir Deise eram enormes.
Naquele mesmo momento, Deise também retornava para casa.
E, naturalmente, voltou para o Dourado Celeste.

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