O desenvolvimento do novo plasmalogênio fluiu perfeitamente. Quando Deise retornou a Dourado Celeste, ainda estava ao telefone com Fagner.
— Então, quando foi que eu ousei negligenciar algo que o Diretor Sequeira me pediu?
— Deusa, por favor, não diga uma coisa dessas, assim você me mata de vergonha. Que diretor o quê? Perto de você, eu não passo de uma criança.
Ouvindo a bajulação exagerada de Fagner, a boca de Deise se contorceu.
— E eu sou tão velha assim?!
Ao erguer a cabeça, os olhos de Deise encontraram os de William.
O rosto de William continuava austero como sempre, e o olhar dele era perigoso como a lâmina de uma faca envenenada.
Deise estremeceu involuntariamente e desligou rapidamente a ligação com Fagner.
Havia muito tempo que ela não via William exibir um olhar tão afiado.
Em sua memória, desde que haviam se tornado mais próximos, William ainda podia parecer feroz e gélido para os outros, mas a maneira como olhava para ela tinha se tornado significativamente mais suave.
Então o que estava acontecendo hoje?
Teria ela dito ou feito algo errado no banquete de Sylvia que o irritou?
Deise inclinou a cabeça, por mais que pensasse, não encontrava uma resposta.
Não fazia sentido...
No banquete, William cuidou tão bem dela e até fez questão de presenteá-la com um colar inestimável!
Pensando no colar, a ficha de Deise finalmente caiu.
Talvez...
Talvez ela tivesse presumido demais e não tivesse tido noção do que era adequado.
William lhe dar o colar na festa devia ser apenas para ajudá-la a dar o troco naquelas pessoas, e não porque ele realmente quisesse dar o objeto a ela.
No entanto, depois do fim da recepção, ela não tomou a iniciativa de devolver a joia de imediato.
Por isso, assim que ela chegou em casa, William a estava tratando com hostilidade.
Quanto mais Deise pensava naquilo, mais provável parecia a teoria. Bem no instante em que ia tirar o colar, ouviu a voz de William perguntar:
— A pessoa com quem você estava falando no telefone era o Fagner, do Grupo Sequeira?
A voz de William soou bem profunda, carregada de um aborrecimento evidente.
Deise assentiu.
— Era sim!
— Você é íntima dele?
Ela só tinha dado um telefonema para ele!
Se o próprio William não tivesse admitido aquilo, ela nunca imaginaria que o instinto possessivo dele fosse tão grande.
Encarando fixamente o rosto inocente de Deise, o olhar de William foi se suavizando aos poucos.
— Você também não conhecia a Nilda no começo, e mesmo assim sentiu ciúmes dela.
— Não senti não!
Deise negou veementemente, empurrando William para longe.
William não voltou a se aproximar.
Ele não queria submetê-la a uma pressão exagerada.
— Ah, por falar na Nilda, eu acho que a vi enquanto dirigia hoje.
O olhar de William se alterou.
Porém, essa mudança sutil de expressão passou despercebida por Deise, que estava ocupada bebendo.
— Não tenho certeza se era ela, só achei bem parecida... Falando nisso, ela estava sentada em um Rolls-Royce. Já que as suas famílias tiveram um acordo de casamento no passado, afinal, de que tipo de linhagem a sua família vem?

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