Hospital.
Vivian não sabia se havia acordado por causa daquele cheiro de antisséptico do qual não gostava.
Quando abriu os olhos, o que viu foi um teto desconhecido.
Como se estivesse despertando de um longo sonho, ele se sentiu estranho e um pouco irreal com todas aquelas memórias que agora inundavam a sua mente.
Parecia que...
Ele já havia morrido uma vez.
Com as pálpebras ainda pesadas e exaustas, ele piscou repetidas vezes, encarando o teto por um longo tempo até começar a organizar as lembranças em sua cabeça.
Rolando os olhos turvos vagarosamente para o canto, Vivian finalmente avistou a pessoa que velava ao lado de sua cama.
Deise...
Vivian chamou o nome de Deise em seu coração.
Em um instante, sentiu o peito doer terrivelmente...
Há quanto tempo ele não via Deise?
Vivian mal conseguia se lembrar.
Ou talvez não fizesse tanto tempo assim.
Afinal, havia sido graças a ela que ele tinha voltado para a Cidade Nova.
Vivian sentia como se carregasse as memórias de duas pessoas diferentes em seu cérebro.
Uma era de quem ele costumava ser.
A outra era de quando ele estava com deficiência intelectual.
Mas ele também compreendia com total lucidez que ambas as pessoas eram ele.
Ele lembrava do passado, lembrava do que havia acontecido durante o tempo em que não tinha suas faculdades mentais, e também se recordava que fora no sanatório, protegendo Deise, que levara uma vasada na cabeça dada por Victória.
Vivian observou Deise e respirou fundo.
O peito doía tanto...
Embora quem tivesse recebido a pancada do vaso fosse a sua cabeça, o lugar que ardia e latejava de dor, na verdade, era o seu coração.
Um silêncio sepulcral reinava no quarto.
Vivian não acordou Deise, que estava sentada à beira da cama.
Ele não ousava.
Em certo momento de lucidez, Vivian até pensou que teria sido melhor continuar daquele jeito.
Se ficasse bobo para sempre, ele não saberia de mais nada.
Não sentiria dor, e não sentiria remorso.
Mas Deus fez com que ele acordasse lúcido, e ele não conseguia dizer com certeza se aquilo era uma dádiva divina ou um castigo.

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