— Há uma intrusa na minha sala. Chame os seguranças e mande-os expulsá-la daqui.
Ao perceber que Deise não estava blefando e falava totalmente a sério, a cor sumiu do rosto de Sylvia.
— Deise, eu vim aqui hoje especialmente para te mostrar uma coisa...
Enquanto falava, Sylvia desbloqueou o celular, abriu a imagem que Nilda havia lhe enviado e, em seguida, deslizou o aparelho pela mesa até ficar de frente para Deise.
— Veja com os seus próprios olhos!
Instintivamente, Deise abaixou os olhos e observou a tela do celular de Sylvia.
Uma foto era exibida na tela.
Havia apenas duas pessoas na imagem.
E Deise conhecia muito bem ambas.
Uma era Nilda.
O outro era William.
— O seu namorado não voltou para casa ontem, não é mesmo?
Sylvia perguntou de forma categórica.
Vendo o silêncio de Deise, Sylvia sentiu um prazer ainda maior no íntimo.
Depois de lhe enviar aquela foto, Nilda continuou a mandar mensagens no WhatsApp.
O conteúdo das mensagens dizia o seguinte:
Avise a Deise que o William não voltará para casa hoje. Ele vai ficar comigo.
A princípio, Sylvia manteve uma postura cética em relação ao conteúdo da mensagem e à foto.
Mas agora, ao observar a reação de Deise, era óbvio que William realmente não havia dormido em casa na noite passada.
— O seu namorado com certeza te disse que precisava trabalhar e fazer hora extra, acertei? Mas a verdade é que ele estava com a ex-noiva.
— Eu só estou te contando isso e te mostrando essa foto porque, na verdade, não tenho a intenção de criar atritos no seu relacionamento com o Sr. Branco. É que...
— Ele nunca levou você a sério. Foi tudo apenas um passatempo, afinal, a única coisa que ele queria era o seu corpo.
— Os fatos comprovam isso, irmãzinha. O seu gosto para homens é péssimo, chega a dar vergonha em mim, como sua irmã mais nova!
Notando que Deise continuava calada, Sylvia destilou seu veneno de maneira implacável, debochando e lançando ironias. A sensação de triunfo que invadiu o seu peito era indescritível.
Pelo visto, a ex-noiva de William era muito mais útil do que Victória.
Ao menos ela era uma herdeira legítima, nascida em berço de ouro.
Deise deu a ordem de forma implacável.
— Se deixarem que ela invada a minha sala de novo, vocês todos estarão no olho da rua!
Aquela era a primeira vez que os seguranças presenciavam Deise perder o controle daquele jeito.
Embora estivessem cientes de que Sylvia era a senhorita da Família Paiva, Deise afinal de contas era a filha mais velha do primeiro casamento e a Diretora de Operações legítima da empresa.
Pesando os prós e contras, os guardas decidiram obedecer resignadamente, escorraçando Sylvia para fora da Saúde Paiva Ltda.
Sem o barulho estridente de Sylvia, o escritório mergulhou em um silêncio absoluto, tão profundo que seria possível ouvir uma agulha caindo no chão.
Deise tentou pegar alguns documentos, com a intenção de usar o trabalho para entorpecer a própria mente.
Porém, o resultado foi que ela não conseguiu processar sequer uma única palavra.
Tudo o que ocupava os seus pensamentos no momento era aquela maldita foto que Sylvia havia esfregado em sua cara.
O terno que William usava na foto era, inquestionavelmente, o mesmo da noite passada.
Portanto...
Todas aquelas afirmações de William de que havia surgido um trabalho urgente eram mentira. Na realidade, ele havia saído para fazer companhia a Nilda, certo?

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