Sylvia estava eufórica, com os olhos brilhando intensamente, exibindo uma reação mais exagerada do que se tivesse ganhado na Mega-Sena.
Ao seu lado, Palmiro também não conseguiu conter a emoção. Cerrou os punhos, deixando transparecer no olhar a ambição de quem via o sucesso bater à porta.
— Já que descobrimos todos os ingredientes, quer que eu ligue agora mesmo para o meu pai e peça para ele reunir os parceiros do Grupo Marques...
— Ainda não.
Sylvia rejeitou a proposta de Palmiro de imediato.
Palmiro franziu o cenho.
— Como assim? Nós combinamos uma parceria vantajosa para ambos. Você vai voltar atrás na sua palavra?
O tom de sua voz soou mais baixo, e ele passou a encarar Sylvia com uma desconfiança evidente.
Sylvia não era como Deise.
Ele ainda se lembrava de quando Deise se casou com ele; sua mãe vivia com um pé atrás em relação a ela, morrendo de medo de que a nora estivesse de olho no patrimônio da Família Marques.
No fim das contas, durante os quatro anos de matrimônio, Deise nunca havia se aproveitado um centavo sequer da Família Marques.
Sendo a filha mais velha do primeiro casamento de Rafael, Deise sempre tivera uma postura elegante e digna, muito distante da vaidade desmedida de Sylvia.
Se a sua parceira de negócios agora fosse Deise...
Ele não precisaria se preocupar em levar uma facada nas costas.
Mas a sua aliada atual era Sylvia.
Embora ambos tivessem os mesmos interesses em jogo, tanto ela quanto a mãe — a amante que havia roubado o lugar da esposa — não eram flor que se cheirasse. Palmiro sabia que precisava se manter em alerta.
Percebendo a total ausência de confiança no olhar de Palmiro, Sylvia soltou uma risada fria.
— Palmiro, você me subestima demais, não acha?
Enquanto falava, Sylvia caminhou na direção dele e esfregou o relatório com a análise dos componentes bem na sua cara.
— Se eu escolhi fechar um acordo com você, eu jamais faria algo tão desleal... Apunhalar pelas costas e levar a sua empresa à falência é o tipo de jogo sujo que só a Deise faz.
As palavras de Sylvia atingiram em cheio a ferida aberta de Palmiro.
Entretanto, Palmiro não achava que a culpa fosse totalmente de Deise.
Afinal, ela só havia feito de tudo para se vingar porque ele a traíra com a própria irmã adotiva e ainda tivera uma filha fora do casamento.
Ele já mal podia esperar para ver a Saúde Paiva Ltda. declarar falência e assistir Deise perder tudo o que tinha.
Porque, muito provavelmente, só quando chegasse ao fundo do poço é que Deise admitiria com franqueza que toda a sua vingança, a sua repulsa e as suas calúnias não passavam de uma prova de que ela o amava demais e não conseguia esquecê-lo.
Enquanto Palmiro se perdia nesses delírios, Sylvia o encarava fixamente, cada vez mais enojada e sem entender por que ele de repente abrira um sorriso tão repulsivo.
— Palmiro... qual é o seu problema?
A voz de Sylvia finalmente o trouxe de volta à realidade.
— Como assim, qual é o meu problema?
Palmiro rebateu.
Na verdade, ele já havia até se esquecido do que estavam discutindo minutos antes.
Sylvia soltou um suspiro carregado de desdém e frustração.
Assim como Palmiro desconfiava dela, ela também o considerava um inútil.
Se ele realmente fosse um homem competente, não teria deixado Deise manobrá-lo até levar a própria empresa à falência, perdendo tudo e sendo obrigado a rastejar por uma aliança com ela.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Divorciei-Me e Casei com o Homem Mais Rico