— Por que você está sempre usando luvas? Você tem misofobia?
Rafael perguntou, movido pela curiosidade.
William recolheu a mão e balançou a cabeça.
— Não... a misofobia faz a pessoa achar que as coisas do mundo exterior são sujas...
O caso dele era exatamente o oposto.
Sentindo que William falava nas entrelinhas e hesitava em dizer mais, Rafael decidiu não insistir no assunto.
Para alguém como William usar luvas brancas independentemente de quando e onde, se não era fobia de germes, certamente havia algum outro segredo que não podia ser compartilhado.
Ele não precisava ir a fundo naquilo.
— Vamos jogar mais uma partida!
Vendo o entusiasmo de Rafael, William prontamente arrumou as peças do tabuleiro outra vez.
— Será um prazer.
Enquanto isso, Deise acabara de retornar da Bio Universo, tendo como missão principal acalmar Adam.
No ponto em que estavam, embora ela não estivesse pronta para revelar todo o seu plano a Adam, não precisava deixá-lo completamente às cegas.
Além disso, ela precisava notificar o departamento de pesquisa científica da Bio Universo de que o remédio para resfriado altamente eficaz, que vinha sendo desenvolvido em segredo, já podia ser apresentado abertamente.
Na semana que se seguiu, o estúdio de Sylvia e o Grupo Farmacêutico Marques fecharam dezenas de contratos lucrativos.
Ao ver o estúdio da filha crescer e se fortalecer em tão curto espaço de tempo, Gabriela ficou entusiasmada e redigiu imediatamente uma proposta de aquisição.
Contanto que Rafael estivesse disposto a assinar, a Saúde Paiva Ltda. se tornaria mais uma propriedade de Sylvia.
— De qualquer maneira, como a Saúde Paiva Ltda. perdeu quase todos os clientes, o fluxo de caixa do seu pai fatalmente irá secar e a empresa vai ser apenas uma casca vazia. Concordar com essa compra, do ponto de vista dele, pelo menos garantirá um pouco de dinheiro na mão daquela vadia da Deise...
Dentro da Vilas à Beira do Lago, Gabriela sentava-se num sofá de estilo europeu, com as pernas cruzadas, bebericando chá preto com leite quente.
Ela havia reformulado completamente o estilo dos móveis da mansão.
A decoração anterior era muito antiquada e sem graça, ao gosto de Rafael.
Um carro de luxo trocado e um casaco novinho em folha...
Observando a arrogância e presunção estampadas em Palmiro, a pele de Deise se arrepiou de nojo.
Como era possível ela ter sido casada com aquele homem um dia!
Apoiando a mão na testa, Deise mal conseguia encarar o próprio passado tenebroso.
Ao vê-la colocar a mão na testa, Palmiro achou que Deise se sentia envergonhada demais para olhá-lo, o que fez seu sorriso presunçoso se alargar ainda mais.
— Viu só, Deise... como diz o velho ditado, o mundo dá muitas voltas...
— No passado, você arruinou a minha empresa. Eu deixei a mágoa de lado e implorei para voltarmos, mas você se recusou. Olhe agora, a sua Saúde Paiva Ltda. está à beira do colapso, o seu namorado não pode ajudá-la e todo esse desastre caiu apenas sobre os seus ombros...
— E então? Já está arrependida da sua decisão?
De queixo erguido, Palmiro lançou a Deise um olhar altivo e superior, indagando friamente:
— Ainda dá tempo de se arrepender...

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