Embora parecesse o tipo de artigo comprado por adolescentes, era inegável que o chaveiro de Marcelo e o da bolsa de Deise formavam um par romântico.
As mãos de William se fecharam em torno do volante com tanta força que as veias sobressaíam nas costas delas.
O veículo voltou a se mover, e Deise sequer percebeu a mudança no comportamento do namorado.
Ela estava exausta pela viagem e bocejou repetidas vezes ao longo do percurso.
Havia feito um esforço para se manter desperta enquanto Marcelo estava no carro, mas agora que restava apenas William no volante, ela relaxou completamente e adormeceu em poucos minutos.
Quando acordou, ainda estava no carro, cercada por paredes de concreto e uma iluminação difusa.
Por um segundo de confusão, Deise achou que tivesse sido trancafiada em algum porão assustador!
De fato, eles estavam no subsolo.
Mas era apenas a garagem subterrânea do prédio.
— Quanto tempo eu dormi? Você podia ter me acordado.
Deise esfregava os olhos enquanto virava o rosto para William, no banco do motorista.
William não a olhou de volta.
Visto de perfil, ele continuava parecendo uma escultura esculpida por um verdadeiro mestre das artes.
Impecável.
Gélido.
Involuntariamente, Deise franziu o cenho.
Agora ela percebia que havia algo errado com ele.
Em dias normais, William jamais a ignoraria ou deixaria de fixar os olhos nela.
— William?
Antes mesmo de terminar o nome dele, notou que o seu chaveiro de coelhinho estava apertado nas mãos do homem.
Deise lançou um olhar furtivo para a própria bolsa.
O chaveiro, de fato, não estava mais preso à alça.
— Isso aí... é o meu chaveiro, não é?
Como se só naquele instante tivesse processado a voz de Deise, William finalmente virou o rosto para encará-la.
Quando os olhares se encontraram, Deise ficou paralisada.
A atmosfera no interior do veículo, que já estava misteriosamente pesada, piorou.
A forma como ele a encarava a deixou completamente aturdida.
William não era o tipo de homem fácil de decifrar.
Na maioria das vezes, era impossível deduzir o que se passava em sua mente apenas olhando em seus olhos.
A única coisa transparente ali era o amor que nutria por ela.

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