— Marcelo, você está apaixonado por mim?
Os olhos de Marcelo se arregalaram.
No momento em que os olhares se cruzaram, ele rapidamente abaixou a cabeça, assumindo uma postura de total embaraço.
Aquela reação valia mais do que qualquer resposta.
Deise não pôde evitar suspirar internamente.
A princípio, ela achou que poderia ser apenas uma amiga comum de Marcelo.
Mas ela não imaginava...
Em um devaneio, algumas lembranças do passado inundaram a mente de Deise.
Lembrou-se de quando um amigo de Palmiro trouxe lindos broches do exterior.
Naquela ocasião, Marcelo e ela foram os últimos a escolher.
Ela se recordava que havia se interessado pelo broche com o símbolo roxo, e Marcelo também gostara do mesmo.
No entanto, justo quando ele estava prestes a pegá-lo, acabou pegando aleatoriamente o que estava ao lado.
Na época, Deise achou que ele tivesse feito aquilo de propósito.
Apenas fingindo desinteresse para ceder o broche que ela queria.
Acontece que, durante todo esse tempo, ela interpretou a atenção e o cuidado de Marcelo apenas como gentileza da parte dele.
Deise puxou o ar, impressionada.
Então...
Não era porque Marcelo era apenas um homem bondoso e atencioso que a tratava daquela forma.
Mas sim porque...
Desde aquela época, ele já nutria sentimentos por ela?
Uma onda de emoções revoltas agitou o coração de Deise.
Ela não tinha nenhum interesse romântico nele.
Mas se ele gostava dela antes mesmo de se casar com Palmiro, isso significava que ele havia suportado um longo tormento emocional.
Talvez o fato de Marcelo ter se confessado a Victória Marques e se casado com ela não tivesse sido apenas para ajudar Palmiro.
Com um estrondo na mesa, Marcelo levantou-se abruptamente. Ele deu as costas e saiu correndo do restaurante, sem sequer olhar para trás.
— Marcelo!
Deise também se levantou, mas sabia que de nada adiantaria persegui-lo, muito menos implorar para que voltasse.
O ar ao seu redor pareceu endurecer, pesado e imóvel como cimento fresco.
Por sorte, quase não havia clientes no restaurante. Do contrário, o tumulto entre eles, sem dúvida, teria chamado a atenção de curiosos.
Ela permaneceu de pé no mesmo lugar por muito tempo, até se deixar cair desanimada na cadeira. Apoiou a cabeça nas mãos e suspirou pesadamente.
— Será... que eu fiz a coisa errada?
Ela não pôde evitar murmurar para si mesma.
Já que não nutria os mesmos sentimentos, a coisa mais sensata e responsável a fazer não era jogar a verdade logo de cara, para que a pessoa cortasse o mal pela raiz e evitasse mais dor em vão?
Deise torceu os lábios, sentindo-se péssima.
Olhou para a carne no prato. A essa altura já havia esfriado. Ela mal tinha dado algumas mordidas, e agora, já não tinha apetite para comer mais nada.
Irritada, bagunçou um pouco os cabelos, sacou o celular e começou a fazer uma ligação.

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