— Como aquele William Branco poderia ser digno da Deise? Ele não passa de um herdeiro rico sem habilidade nenhuma. Além de ter um rostinho bonito, o que ele tem de bom?
Percebendo a amargura de Palmiro, Leonardo suspirou com desânimo.
— Palmiro, eu sei que você não suporta esse tal de William...
— Óbvio!
Berrou Palmiro, com a voz embargada pela bebedeira.
— Na época em que eu abri minha própria empresa, ele nem sabia onde procurar emprego!
Leonardo abriu a boca, mas pensou: Você também só conseguiu abrir a empresa graças à ajuda do seu pai!
No entanto, essa crítica ele teve de guardar apenas para si.
— Palmiro, não me leve a mal, mas a gente precisa encarar a realidade! Por mais incompetente que o William seja, a família dele com certeza tem boas condições, senão não conseguiriam colocá-lo para trabalhar na Bio Universo. Além disso, pelo que vi, ele gasta bastante dinheiro com a Deise...
— Bah!
O rosto de Palmiro contorceu-se de ódio.
— Gasta nada! Ele só fica enganando a Deise com produtos falsificados.
Quanto mais falava, mais raivoso ficava, ficando com o rosto vermelho e o pescoço tenso.
— Te digo uma coisa, Leonardo, esse William... Ele definitivamente tem algum problema. Ele é um maldito amante destruidor de lares!
— Se a Deise e eu nos divorciamos... Foi tudo por causa das intrigas dele.
— Ele não é a pessoa certa para a Deise... Eu sou. Eu... Palmiro Marques, sou o bom homem que ama a Deise de todo o coração!
Enquanto falava com tom solene, Palmiro batia no próprio peito.
— Viu só, agora você entende? O que eu dizia antes era verdade... Eu sou um amante fiel e devoto! A única pessoa que eu sempre amei foi a Deise, apenas a Deise.
Ao ver Palmiro rindo repentinamente de forma desvairada, Leonardo sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo.
Ele achou que Palmiro estava doente.
Não era doença de amor.
Mas sim uma patologia chamada obsessão e delírio.
— Palmiro...
Assim que Leonardo abriu a boca, viu-se, por um momento, sem saber como aconselhá-lo.
A risada de Palmiro soava tão doentia que deu um baita susto em Leonardo.
— P-Palmiro... Você... está bem?
A boca de Leonardo contraiu-se freneticamente.
Palmiro continuava rindo incontrolavelmente, como se estivesse achando muita graça de si mesmo.
Após um bom tempo, ele acenou para Leonardo.
— Tô bem... tô bem... O que poderia ter acontecido comigo...
— Você tem razão... Se eu tô nessa merda de situação agora, como é que eu vou tentar reconquistar a Deise?!
Sabendo o quanto Palmiro estava sofrendo, Leonardo também não se sentia bem.
Ele deu uns tapinhas nos ombros de Palmiro e aconselhou-o num tom sério:
— Palmiro, escuta o conselho de um irmão. Não importa se você quer continuar correndo atrás da Deise, nem se vai conseguir ou não; primeiro você precisa arrumar a sua própria vida...
— Só quando você puser a vida nos eixos, der a volta por cima e voltar a ser como antes... aí sim as mulheres vão se jogar aos seus pés.

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