Naquele dia, Deise iria à sede da Bio Universo para discutir os detalhes do projeto do medicamento hipoglicemiante com o pessoal do Departamento de P&D.
— Espere um pouco, Diretora Paiva!
Antes que a mão dela tocasse a porta do carro, Joarez, que estava ao lado, de repente soltou um grito, fazendo Deise se sobressaltar de susto.
— Preciso checar primeiro.
Dito isso, Joarez deitou-se no chão para examinar o chassi do veículo, deu várias voltas ao redor do carro e inspecionou cada detalhe minunciosamente por dentro e por fora, só faltando virar o carro de cabeça para baixo.
— Tudo certo, não há nenhum problema. Por favor, entre, Diretora Paiva.
Joarez estava com uma expressão séria e modos respeitosos.
Deise ficou sem palavras.
Ela achava que Joarez estava realmente neurótico ultimamente.
Para onde quer que ela fosse, Joarez ia atrás.
Não só isso, mas ele também verificava primeiro tudo o que ela comia, usava e os meios de transporte em que viajava.
Apesar de Deise saber que Joarez fora contratado por William para protegê-la, aquilo era um exagero.
Antes, Joarez não chegava a esse ponto. Contudo, agora, a vigilância e a desconfiança que ele demonstrava com tudo ao seu redor faziam com que ela se sentisse como uma chefe de Estado de suma importância.
Nem mesmo os antigos imperadores deviam ter esse tipo de tratamento, certo?
Os lábios de Deise tremeram levemente.
— Olha, Joarez... eu acho que você não precisa ficar tão tenso assim...
— De jeito nenhum!
Joarez recusou prontamente.
— E se alguém instalar uma bomba embaixo do carro da Diretora Paiva?
Deise ficou boquiaberta.
Que vantagem haveria em matá-la com uma bomba?
Reduzir a pressão populacional do mundo?
Deise não sabia se ria ou se chorava.
Ela realmente sentia que não era tão importante quanto Joarez imaginava.
— Deixa para lá, faça como quiser!
Deise acenou com a mão para Joarez e sentou-se no banco de trás do carro.
Agora, Joarez era seu motorista.
Apesar de estar um pouco paranoico, ele era, sem dúvida, um guarda-costas muito capaz.
Joarez entrou no banco do motorista e dirigiu levando Deise para a sede da Bio Universo.
Ele sabia perfeitamente bem que o seu comportamento estava parecendo estranho para Deise.
Mas ele precisava ser cauteloso assim.
Por isso, ele não podia permitir que acontecesse qualquer deslize com Deise, mesmo que ela não estivesse acostumada com aquilo.
O carro rodou por um tempo e acabou parando na beira da rua, em frente à sede da Bio Universo.
Deise desceu do carro, surpresa por Joarez aparentemente não ter a intenção de acompanhá-la lá para dentro.
— Você não vai entrar comigo?
Deise perguntou, tomando a iniciativa.
Aquilo não condizia com a proteção rigorosa que Joarez estava aplicando nela ultimamente!
— Não, Diretora Paiva. Vou esperar por você aqui fora.
Deise inclinou levemente a cabeça.
Aquela reação de Joarez era anormal demais.
Afinal, antes ele fazia questão de inspecionar cada canto do lugar onde ela iria entrar, com exceção do banheiro feminino.
— A Bio Universo é uma empresa grande, a segurança deve ser excelente.
Como se percebesse a dúvida dela, Joarez explicou por conta própria.
— Hum...
Deise assentiu com a cabeça.
Fazia sentido, mas justamente por a Bio Universo ser uma grande corporação, empresas grandes tinham ainda mais pessoas circulando e um ambiente muito mais caótico.

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