— Este é o guarda-costas que meu namorado contratou para mim.
Xavier Viana percebeu o tom de orgulho e tranquilidade na voz de Deise.
Não era à toa que, desta vez, ao vê-lo, a cautela nos olhos de Deise parecia menor; ela já sabia que havia alguém a protegendo nas sombras.
— Seu namorado não confia tanto assim em você? Tem certeza de que é proteção e não espionagem?
Com aquela frase dita de forma tão leve, Xavier Viana distorceu num instante as intenções de William Branco. Joarez abriu a boca, querendo dizer algumas palavras em defesa de William, mas ouviu Deise retrucar calmamente e sem pressa:
— Eu adoro ser vigiada pelo meu namorado, é uma brincadeirinha só nossa. Acho melhor o Diretor Viana cuidar da própria vida!
Depois de dizer isso, ela entrou no próprio carro sob a proteção de Joarez.
Xavier Viana ficou parado ali, solitário e de mãos atadas, acompanhado apenas de sua própria sombra.
Depois de um instante, ele soltou um riso.
Como as coisas não estavam saindo como ele imaginava?
Ele achou que, ao intervir e ajudar Deise a se livrar do incômodo do ex-marido, faria com que ela o visse com outros olhos!
Mas ele não esperava...
— O feitiço virou contra o feiticeiro?
Xavier Viana murmurou para si mesmo.
Tirando o celular, abriu a câmera e usou a lente frontal para olhar o próprio rosto.
— Até que não estou nada mal!
Seria porque Deise não gostava de homens mais jovens?
Xavier Viana bloqueou a tela do celular.
O rosto refletido na tela preta parecia muito mais sombrio e frio se comparado ao que aparecia na câmera frontal momentos atrás.
Nos dias que se seguiram, Deise sentiu que sua vida profissional havia voltado à tranquilidade.
Era verdade que Palmiro havia retornado triunfalmente, tornando-se o jovem mestre adotado pela família Fonseca e recuperando seu status.
Entretanto, agora ele tinha namorada e não voltaria a incomodá-la.
Xavier Viana, depois da porta na cara que levou por causa de Joarez, obviamente ficou muito mais comportado.
É claro que havia a possibilidade de ele estar ocupado com os preparativos para o Concurso Gastronômico de Ervas.
Quando Marcelo Soares voltou das férias, Deise passou a ele, em sua posição de Diretor de Operações, todos os trabalhos relacionados ao Concurso Gastronômico de Ervas.
Os dados do projeto do medicamento específico contra o resfriado de quatro anos atrás também estivessem ali.
Bem no momento em que Deise estava quebrando a cabeça para pensar em como afastar o Sr. Leitão, o telefone fixo dele tocou de repente.
— Certo, certo. Estou indo para lá agora.
Ao desligar o telefone, o Sr. Leitão olhou para Deise com uma expressão de desculpas e disse:
— Mil desculpas, Diretora Paiva. Tenho uma pendência para resolver agora. Daqui a pouco eu ajudo com as suas consultas.
Dizendo isso, o Sr. Leitão bloqueou a tela do computador e então deixou a sua mesa.
Naquele exato momento, a sala de arquivos ficou completamente vazia...
Exceto por Deise.
É verdade que havia câmeras de segurança ali.
Mas as câmeras ficavam bem distantes, e não estavam apontadas para as telas.
Deise não queria deixar passar aquela chance perfeita.
Ela foi direto inserir a senha e desbloqueou a tela.

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