Deise havia alugado uma casa naquela região.
Por ser um lugar temporário, o imóvel não era grande e a mobília era bem simples.
Contudo, ao entrar com ela, os olhos de William se encheram de um brilho de admiração, como se fosse a primeira vez que via um lugar tão bonito.
Mesmo sem dizer uma palavra, seu olhar o denunciava.
Deise olhou para ele pelo canto dos olhos, rindo internamente da situação.
Que tipo de vida esse homem levava normalmente?
A Vila Lupina podia não ser próspera, mas nos tempos atuais, não era tão miserável a ponto de parecer um cenário da antiguidade.
No entanto, aquele homem com metade do rosto coberto por uma marca escura parecia ter vivido a vida inteira no inferno.
Deise abriu a boca.
Havia perguntas na ponta da língua que ela queria fazer.
Mas preferiu guardá-las para si.
Eram apenas duas pessoas que se encontraram por acaso; não era da sua conta bisbilhotar a vida íntima dele.
Reprimindo a curiosidade, ela caminhou até a geladeira e abriu a porta.
— Você deu sorte, ainda tenho um pouco de carne aqui na geladeira.
Ao ouvir a palavra "carne", os olhos de William brilharam instantaneamente.
Pela reação dele, Deise percebeu o quanto ele desejava aquilo.
— Vai sentar lá bonitinho e espera, que eu vou preparar um lamen de carne para você.
Seguindo o dedo dela apontando para a mesa, ele foi até lá em silêncio e se sentou.
A cabeça permaneceu abaixada o tempo todo.
Deise não sabia se ele ficava de cabeça baixa por causa de um complexo de inferioridade ou pelo medo de que o seu rosto a assustasse.
Sem se aprofundar na questão, Deise retirou os ingredientes um a um, levou-os para a cozinha e começou a cozinhar.
Sua atenção estava toda voltada para a comida. Ela nem desconfiava de que o homem à mesa não parava de espiá-la.
Era um olhar... sombrio, mas misturado com incerteza, curiosidade e até mesmo comoção.
Deise cozinhava rápido, e fazer um lamen de carne não tomava muito tempo.
Logo, ela saiu da cozinha segurando duas tigelas de lamen fumegantes.
Mesmo vendo Deise saborear o refrigerante junto com a refeição, ele não teve coragem de experimentar.
Optou por provar o lamen primeiro.
Antes mesmo de erguer a massa macia e elástica, ele já fora arrebatado pelo aroma inebriante.
Então...
Aquele era o verdadeiro cheiro da carne.
Sentada de frente para ele, Deise comia, bebia seu refrigerante e acompanhava a reação dele naturalmente.
O rosto de William lhe dizia algo bem claro:
Ele podia até ter comido lamen antes, mas certamente nunca havia provado carne.
Assoprando a comida fumegante, ele finalmente deu a primeira mordida.
No mesmo segundo, seus olhos se arregalaram em choque.
A reação foi genuína, indicando que ele estava degustando o prato mais saboroso de toda a sua vida.
Deise sentiu-se um tanto orgulhosa. Achou que ele fosse encará-la boquiaberto de admiração, mas ele sequer desviou o olhar para ela, apenas afundou o rosto na tigela, devorando o lamen de forma voraz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Divorciei-Me e Casei com o Homem Mais Rico