William se justificou com suavidade.
Deise revirou os olhos.
Havia muitas formas de impedi-la de sair sem precisar agarrá-la daquele jeito.
Ele só queria se aproveitar da situação!
Ela não pôde deixar de protestar intimamente.
Mas, levada pela beleza inegável do rapaz, acabou não se debatendo.
Lembrar daquele William de quatro anos atrás, odiado por todos devido à mancha que cobria metade de seu rosto, e vê-lo agora com a aparência de um deus, fazia Deise pensar que aqueles seus antigos pais adotivos horríveis deveriam estar morrendo de arrependimento!
Na verdade, a curiosidade sobre como ele foi reconhecido pela Família Branco a instigava.
Mas as expressões dele mostravam que não queria falar a respeito, caso contrário não teria sido tão evasivo antes.
Ela se lembrou das palavras de William sobre "ter sido trocado".
Mas com quem ele teria sido trocado?
A imagem de Adam Branco surgiu espontaneamente em sua mente, e Deise abriu bem os olhos.
Era por não serem irmãos de sangue que os dois não se pareciam em absolutamente nada?
Ao perceber que seus pensamentos estavam novamente voltados para William, Deise fechou os olhos com força e balançou a cabeça.
O mais urgente no momento era seguir as pistas ligadas à Bio Universo para descobrir as causas e os culpados da morte de sua mãe.
As questões familiares de William não eram da sua conta.
Quando abriu os olhos outra vez, a calma habitual havia retornado.
— E então... até quando vai ficar me agarrando?
O tom de Deise carregava uma pitada de repreensão e impaciência.
William abaixou o olhar, escondendo os olhos magoados.
— Eu sei que... enquanto não esclarecer tudo sobre a sua mãe, você não vai voltar comigo.
— Hm, que bom que sabe.
— Então... ainda podemos ser amigos?
A voz de William soou cuidadosa, como quem testava o terreno com Deise.
A jovem ficou em silêncio por um momento antes de responder:
— As pessoas dizem que, se um casal continua amigo depois de terminar, é porque ou nunca houve amor de verdade, ou ainda há... Qual dos dois você acha que é o nosso caso?
William estendeu a mão e apertou a de Deise.
Através do tecido fino e sedoso, o calor da palma dele foi transmitido instantaneamente para ela.
Apesar de Deise já ter segurado aquela mão muitas vezes...
Desta vez, o significado era outro.
— Desejo que tenhamos uma ótima parceria daqui para frente.
A súbita atitude profissional de William pegou Deise de surpresa.
Ela não se acostumou de imediato.
Mas fora ela mesma quem dissera...
Que agora os dois eram parceiros de negócios.
— Parceria de negócios, então.
Deise apertou a mão de William, adotando a mesma postura formal.
Na última vez que vieram àquele motel de casais, acabaram juntos na cama, tornando-se namorados.
Agora, no mesmo lugar, no mesmo quarto, apenas trocavam um aperto de mãos pacífico, selando uma parceria de negócios.

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