No entanto, ela não conseguiu se lembrar imediatamente de quem era.
Foi só ao levantar os olhos que Deise percebeu de quem se tratava.
Na sala privativa ao lado, Luísa Lima não imaginava que acabaria dando de cara com Deise assim que abrisse a cortina.
Deise vestia roupas sociais femininas, e sequer eram de alguma marca de luxo. Aos olhos de Luísa, ela não tinha estilo nenhum —
Estava a anos-luz de distância dela.
— Fiquei sabendo que o seu namorado faliu. Ah, não, agora ele é o seu ex-namorado... Então você já arranjou um novo homem?
Ao ouvir o comentário de Luísa, Deise olhou instintivamente para Adam, que estava logo atrás dela.
Pelo visto, o "novo homem" ao qual Luísa se referia era Adam.
Adam não conhecia Luísa.
E tampouco entendeu o que ela queria dizer com aquilo.
O que ela queria dizer com "ex-namorado faliu"?
O ex-namorado de Deise...
Não era o irmão dele?
O irmão dele tinha falido?
Desde quando?
Como é que ele não estava sabendo disso?
— Diretora Paiva, quem é essa baranga?
Ao ser abertamente insultada de "baranga" por Adam, Luísa ficou espumando de raiva.
— Quem você está chamando de baranga?! Eu sou muito mais bonita do que a sua namorada.
Adam: ???
Quem era a namorada dele?
Ele tinha namorada?
Como é que ele não sabia daquilo?
Sem que percebessem, a situação começava a tomar um rumo cada vez mais bizarro, deixando Deise completamente sem palavras.
— Você certamente ainda não sabe, não é? Essa mulher... ela não passa de uma interesseira azarenta.
Fervendo de ódio, Luísa apontou o dedo na cara de Deise e começou a ofendê-la com grosseria.
O Sr. Rangel era o diretor do Museu Nacional de Belas Artes da Capital, e tinha contatos muito influentes nos bastidores.
Luísa só havia conseguido uma audiência com ele através de Palmiro Marques, usando a influência do Grupo Fonseca. O jantar daquela noite tinha como objetivo implorar ao Sr. Rangel que permitisse a realização de uma exposição de seus rascunhos de design de joias no Museu Nacional de Belas Artes, a fim de conseguir um forte endosso para o seu currículo.
Enquanto falava, Luísa virou a metade avermelhada e inchada de seu rosto para que o Sr. Rangel pudesse ver.
Embora aquela fosse a primeira vez que encontrava o Sr. Rangel e não tivesse nenhum relacionamento prévio com ele.
Afinal, havia sido apresentada pelo Grupo Fonseca.
Mesmo que fosse apenas para honrar o prestígio da família Fonseca, o Sr. Rangel não ficaria de braços cruzados ao vê-la ser agredida.
E, além do mais, ao ver uma mulher linda como ela apanhar, exibindo uma aparência frágil e cheia de lágrimas, qualquer homem em sã consciência ficaria tocado pela pena.
Luísa nem sequer exigia que o Sr. Rangel fizesse alguma coisa terrível contra Deise.
Desde que pudesse vingá-la e dar um tapa na cara de Deise, ela deixaria tudo aquilo barato.
Enquanto enxugava as lágrimas e se fazia de vítima, Luísa montava seus cálculos maquiavélicos na mente.
— Vice-Diretor Branco? Que coincidência encontrá-lo aqui. É uma honra, uma honra imensa!
O Sr. Rangel curvou-se para Adam com uma reverência bajuladora, e, de forma extremamente respeitosa, estendeu a mão.

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