Luísa Lima respirou fundo, recuperando a compostura.
Embora sua carreira estivesse estagnada, Deise não estava em uma situação muito melhor.
Não deixaria que Deise a manipulasse.
— Diretora Paiva, ouvi dizer que a qualidade da Raiz de Bardana de vocês é excepcional... Mas... parece que a produção não está dando conta, não é?
Luísa falava em um tom pomposo, cheio de sarcasmo.
— Poxa, algumas empresas tradicionais são assim mesmo... Tudo bem uma celebridade forçar uma imagem, mas até uma simples Fazenda de Cultivo quer se pagar de exclusiva e luxuosa.
— Mas a realidade... é que, se ficarem sem o fertilizante, não conseguem cultivar ervas de boa qualidade. Digam-me vocês, o mérito é deles, ou é todo da fábrica de fertilizantes?
Ao som das provocações de Luísa, as pessoas ao redor começaram a murmurar e apontar para o estande da Saúde Paiva Ltda.
— Falaram que a Raiz Forte cortou o fornecimento deles. A Saúde Paiva Ltda. vai conseguir cultivar produtos bons de novo?
— Não disseram que afetava apenas a Raiz de Bardana?
— Mas os boatos agora dizem que afeta tudo.
— Então será que eu devo procurar outra empresa para fazer negócio?
— Vamos esperar e ver. De qualquer modo, as Raízes de Bardana deles não servem mais.
Ouvindo as fofocas, o rosto de Marcelo transpareceu total consternação.
Ele não tinha avisado que não deveriam vir?
Pronto, agora eles eram o alvo de todo mundo!
O olhar de Marcelo caiu sobre Deise.
Por que ela não o escutava?
Ele estava claramente certo o tempo todo.
Marcelo sentiu aquela frustração de ver potencial desperdiçado.
Desta vez, ele olhou para William Branco.
William estava de pé, calmo atrás de Deise, mas emanando uma presença esmagadora.
O rosto belo e marcante parecia congelado em uma expressão neutra.
A raiva subiu à cabeça de Marcelo.

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