— Ora, ora! A Dona Lúcia disse que te viu voltando para casa com uma mulher e eu não acreditei! Quem diria que você arranjou uma mulher de verdade...
A mulher barraqueira, com um olhar de deboche, examinou Deise Paiva de cima a baixo.
Deise Paiva não apenas era de uma beleza fora do comum, mas também se vestia de forma distinta, deixando evidente que não era da vila deles.
Além disso, com o rosto de William Branco, seria impossível que qualquer mulher se interessasse por ele.
Por isso, a palavra "vadia" que estava na ponta da língua da barraqueira não foi dita.
— Eu gostaria de saber o que essa moça quer com o nosso Jacinto?
Ouvindo pela primeira vez o apelido do rapaz, Deise Paiva olhou instintivamente para William Branco.
William Branco percebeu que Deise Paiva estava olhando para ele.
Contudo, ele desviou do olhar dela de propósito.
Ele abaixou a cabeça, usando a franja longa para esconder a mancha em seu rosto.
Suas mãos repousavam rente às costuras das calças, os punhos cerrados com tanta força que as veias saltavam nas costas das mãos.
Ao ver o silêncio de Deise Paiva, a barraqueira também ficou sem entender qual era, de fato, a relação entre ela e William Branco, e voltou a gritar com ele.
— O Diretor Leitão disse que você não foi trabalhar hoje! O que pensa que está fazendo? Quer se rebelar?! Vou logo avisando, você ganha cinquenta por dia, mas falta desconta cem! Nossa família não tem dinheiro para te dar, quando chegar a hora, você que vá se ajoelhar para o Diretor Leitão e pedir desculpas! Criar você até essa idade serviu menos do que criar um lixo inútil...
Depois de xingar William Branco, a barraqueira, nitidamente ainda não satisfeita, voltou o olhar para Deise Paiva.
— Minha filha, eu não sei quem você é nem de onde veio, mas você fez o Jacinto perder dinheiro, e vai ter que cobrir esse prejuízo para nós! A falta dele desconta cem, e ontem à noite ele não voltou para casa, não cozinhou para mim nem para o pai dele, não lavou a louça e ainda...
— Mãe, chega de falar!
William Branco soltou um rugido abafado.
Ao ouvir isso, a barraqueira imediatamente pegou um tijolo do chão e o ergueu no alto.
William Branco deu um passo à frente, abriu os braços e usou seu corpo alto e largo para proteger Deise Paiva, deixando-a atrás de si.
Os longos cílios de Deise Paiva se arquearam.
Olhando apenas as costas de William Branco à sua frente, ela o achou, por incrível que pareça, um pouco atraente.
Se a mancha do rosto dele realmente pudesse ser removida, mesmo que tivesse traços comuns, dando um leve trato no visual ele bem que poderia passar uma aura de garoto bonito!
Os pensamentos de Deise Paiva haviam voado um pouco longe demais.
Mas ela logo voltou a si.
Os curiosos da vila começaram a apontar para Deise Paiva, especialmente aqueles que já gostavam de fofocar normalmente; eles eram muito mais próximos da mãe de William Branco e, logicamente, não iriam defendê-la.
— Essas garotas de hoje em dia, viu? Podem até parecer bonitas por fora, mas na verdade não prestam.
— É mesmo! Eu vi com meus próprios olhos, ontem à noite o Jacinto dormiu na casa dela.

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