— Você tem ideia do que está fazendo?! — Reginald gritou, segurando-a pelos ombros e sacudindo-a tão forte que ela não sabia como os dentes não pularam para o chão com o impacto deles batendo um contra o outro. — Não satisfeita em aceitar a porcaria do divórcio, agora arrumou um moleque? Um moleque!
Reginald a soltou com força e Alysha caiu no chão. Ela tinha ido à empresa para trabalhar, como sempre, porém, mal teve tempo de colocar a bolsa em cima da mesa quando o pai dela entrou, batendo a porta com força e, a próxima a levar o impacto da mão dele foi a moça.
Ela levantou o rosto e viu o pai andando de um lado para o outro, passando a mão no próprio rosto e olhando para ela de vez em quando, com reprovação.
— Loui Jarvis e eu…
— Blackburn! — Reginald gritou. — Ele é um blackburn, garota!
— Ele está falindo a companhia! — Alysha se colocou de pé. — A família Blackburn vai nos fazer perder tudo! O senhor não enxerga? A situação é absolutamente insustentável!
— Isso é porque você está abrindo as pernas para o homem errado! Em vez de seduzir Loui, o seu MARIDO, está se divertindo com um garoto que é o quê? Cinco, seis anos mais novo? não tem vergonha?
Alysha endireitou o corpo e a roupa, com movimentos lentos e calculados, antes de levantar o rosto e encarar o pai.
— Vergonha? Não cometi nenhum crime. Não roubei, não matei… não chantageei ninguém para contrair matrimônio forçado. — Ela falou e viu Reginald enrijecendo e voltando-se para ela, mas Alysha não deu para trás. — Logan e eu estamos juntos. Se vai durar ou não, isso é com a gente. O senhor não tem nada a ver com quem eu me relaciono!
— Eu sou o seu pai!
— E daí? Se está achando tão bom e perfeito o casamento com um Blackburn, porque não vai atrás do Loui e pede ele em casamento? Ou então, tente a sorte com Devin Blackburn, no entanto, não acho que ele vá largar a esposa pelo senhor.
Reginald puxou o ar, sem acreditar no que a filha tinha acabado de falar. Ele levantou a mão para bater novamente nela, porém, ela lhe segurou o braço e o empurrou.
— Como pode dizer isso?
— Dizendo. O senhor não me vê como filha, me vê como propriedade, como um meio para um fim, como uma maldita ferramenta! — ela gritou. — Mas adivinha, senhor Reginald Mullen, essa ferramenta não está mais em serviço! Não para o senhor! Passar bem!
Ela saiu da sala, batendo os pés, e, como a porta tinha ficado levemente aberta, porque o impacto da batida quando Reginald entrou foi do jeito errado, as pessoas no corredor ouviram a briga.
Alysha não se importou nem um pouco e saiu dali, indo para o elevador. Ela tirou o celular da bolsa e só então percebeu como as mãos dela tremiam. Se de nervosismo, se de raiva, ela não sabia ao certo, mas fosse o que fosse, não a impediria de ir embora.
Ela discou o número de Logan. Ela queria ouvir a voz dele. Porém, ele não atendeu. Ela estalou a língua em frustração e foi para a garagem. No entanto, ela não chegou a entrar no veículo.

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