No dia seguinte, Loui foi chamado à delegacia.
— O que houve? — ele perguntou ao policial que estava em frente a ele, no escritório ao lado do de Damian.
— Senhor Jarvis, aqui consta que o senhor é casado com a senhora Alysha Mullen. — O policial disse e viu que a moça não havia trocado o sobrenome.
— Sim, senhor. Estamos em um processo de divórcio. — Loui falou. Ele não podia dizer para o policial que era um engano. Legalmente, ele era casado com ela.
— E quando foi a última vez que viu a senhora Mullen?
— Na festa da empresa, dois dias atrás. Quando recebi o cargo de Vice Presidente. — Jarvis respondeu, calmamente.
— E não teve mais contato com a sua esposa?
Loui fechou os olhos momentaneamente.
— Não.
— Nem a sua namorada? Sabe se elas se falaram?
Loui estreitou os olhos.
— O que houve com Alysha? — ele perguntou de vez. — Eu não a vi. Emma também não, tenho certeza, porque todas as vezes que se encontraram, e foram poucas, eu soube.
O policial abaixou a caderneta e olhou para Loui com algo entre desconfiança e pena.
— Sua esposa sumiu, senhor Jarvis. A última notícia que temos foi de que ela saiu da empresa da família, foi para o estacionamento térreo e, depois, não foi mais vista. Não há celular, nem bolsa. Nada. Ela não apareceu no apartamento dela.
Loui pensou que só apareciam problemas. E não era uma falta de empatia para com Alysha, mas é que tudo sempre estava acontecendo! Sempre tinha alguma coisa! E agora, por ser marido dela, ele estava envolvido com uma investigação! Era evidente que desconfiariam do futuro ex-marido da mulher, que inclusive já tinha até uma namorada.
As pessoas não sabiam a natureza daquele casamento. Como se deu, porque não era real. E o motivo de Loui não ter qualquer razão para saber do paradeiro de Alysha e nem com quem ela andava! Mas claro, ele ter alguém na vida amorosa dele faria com que ele fosse o vilão.
— Se lembrar de alguma coisa, é só entrar em contato. — O policial deixou o número dele em um cartão tirado do bolso interno da jaqueta. — Por favor, qualquer detalhe é importante.
Loui assentiu e, assim que o policial saiu, ele foi para a sala de Damian. este recebeu a notícia de que o Vice dele estava com um oficial no escritório.
— Damian, temos um problema. — Loui disse ao entrar e viu a boca de Damian se torcer para baixo.
— Jesus, quando não temos? Vai, fala, o que foi dessa vez?
— Alysha Mullen sumiu.
Damian olhou para o amigo, esperando que ele dissesse algo a mais, mas nada saiu.
— Ok. E?
— E o policial pediu que eu falasse se lembrasse de algo. Mas não mencionei que Logan saiu com ela da festa. E eu não sei se ele e ela continuaram alguma coisa. — Loui disse e passou a mão pelos cabelos bem penteados. — Tenta falar com ele.
Logan puxou o ar, mas não conseguia encher os pulmões.
— Logan? — Damian chamou e ouviu alguma coisa caindo no chão. Ele se colocou de pé. — Logan?! Merda!
Ele desligou e já estava pegando o casaco do paletó e enfiando o telefone ali no bolso interno.
— O que houve? — Loui perguntou e Damian estava com as veias pulsando.
— Acho que o moleque teve um troço. Merda!
Damian saiu pela porta e foi correndo para o elevador, avisando que as reuniões deveriam ser postergadas. Emergência familiar.
O assistente que agora ocupava o antigo lugar de Loui ficou nervoso, mexendo no tablet.
— S-sim, senhor!
Ao ver que o rapaz não conseguia nem desbloquear a tela, Loui pegou o tablet e mexeu os dedos enquanto andava atrás de Damian e, antes que a porta se fechasse, entregou o aparelho de volta ao jovem.
— Vai ser meu assistente também? — Damian perguntou, nervoso.
— Não. Estava apenas ajudando um parceiro de equipe. — Loui respondeu. — Por que acha que Logan teve “um troço”?

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