༺ Amara Wild ༻
Aquele momento íntimo foi marcante outra vez. Domenico me levou ao limite do prazer, sendo carinhoso e intenso ao mesmo tempo.
Eu me sentia completamente relaxada, entregue, como se o mundo tivesse parado só para nós dois.
Quando o cansaço me atingiu, tomei um banho rápido. A água quente escorrendo pela pele parecia levar embora parte da exaustão, mas não o calor que ele tinha deixado em mim.
Vesti uma camisola leve, confortável, e me deitei na cama, sentindo a brisa suave entrar pela janela aberta.
O balanço do barco embalava meu corpo devagar, como se fosse um convite silencioso para o sono chegar. E ele chegou, rápido, me dominando sem esforço.
Despertei com o toque suave da mão de Domenico deslizando pelo meu braço.
Pisquei algumas vezes, tentando afastar o torpor que ainda insistia em me prender ao travesseiro.
Encontrei seus olhos azuis me observando, carregados de um brilho divertido que sempre me desmontava.
— Já chegamos — ele anunciou, a voz rouca, baixa, um sussurro grave que me fez estremecer. — Em poucos minutos vamos desembarcar.
Esfreguei o rosto, sentindo o calor bom da cabine me envolver inteira, e murmurei, ainda sonolenta:
— Já? Nossa… foi tão rápido.
Ele sorriu de lado, inclinando-se um pouco mais, aproximando o rosto do meu.
— Nem tão rápido assim, ursinha… Mas foi bom passar esse tempo com você. Agora precisamos voltar.
Minhas mãos se fecharam nos lençóis. Um sorriso discreto escapou dos meus lábios, porque o dia realmente tinha sido maravilhoso desde o passeio pela ilha até o mergulho no oceano que lavou não só meu corpo, mas minha cabeça.
Por alguns instantes, tudo parecia leve. Mas agora, a realidade me puxava de volta. Respirei fundo, encarei Domenico e tentei esconder a pontada de inquietação que queimava silenciosa no meu peito.
— Agora é só esperar… De volta para casa. Que Deus me ajude no que me espera lá dentro.
Ele notou minha hesitação, claro. Sem dizer uma palavra, deixou os dedos deslizarem pelo meu cabelo, afastando uma mecha rebelde que caía sobre meu rosto. O toque dele sempre tinha o poder de silenciar meus pensamentos.
— Não se preocupe com isso agora — sussurrou, a voz baixa, carregada de compreensão e firmeza. — Vá no seu tempo. Eu converso com os meninos. Eles não vão te pressionar. Mesmo se insistirem… se você não quiser, eu não vou permitir.
Um alívio percorreu minha espinha, quente, quase doce. Ele estava ali, ao meu lado, deixando claro que respeitaria cada limite meu. Esperava, de coração, que os outros também entendessem isso.
— Obrigada… — sussurrei, com a voz leve, mas sentindo o peso da gratidão.
Domenico sorriu e depositou um beijo suave na minha testa antes de se afastar. Fiquei ali, sentada, por mais alguns segundos, tentando organizar os pensamentos.
A calmaria daquele instante contrastava demais com a tensão que, eu sabia, me esperava assim que pisássemos em terra firme.
Tomei outro banho rápido, só para me sentir mais desperta. Escolhi um vestido fresco, solto, perfeito para o clima quente da noite.
Quando saí da cabine, Domenico já estava no deque, olhando a cidade que se aproximava, iluminada pelas luzes que começavam a brilhar no horizonte. A noite chegava, pintando tudo de prata sob a lua.
— Está pronta? — ele perguntou, desviando o olhar para mim, como se pudesse enxergar minha alma.
Respirei fundo, juntei toda a coragem que me restava.
— Finalmente decidiram voltar — Luca comentou, a voz carregada de ironia, os braços cruzados no peito largo.
Domenico lançou um olhar firme, quase de aviso, antes de se voltar para mim, ignorando Luca.
— Vá descansar. Amanhã conversamos. E lembre-se do que eu falei.
Assenti, fiz um aceno rápido em direção aos outros, um sorriso breve, quase educado, e me apressei em direção ao quarto.
Precisava de um canto só meu, um respiro. Assim que fechei a porta atrás de mim, soltei o ar num suspiro longo, deixando o corpo cair na cama.
— Que alívio não ter que ficar no meio daquela tensão toda agora… — murmurei para mim mesma, a voz baixa, engolida pelos lençóis. — Agora é esperar o que vem pela frente.
A viagem tinha sido um refúgio, um sonho, mas ali, de volta à casa, a realidade voltava a se ajeitar sobre meus ombros como uma âncora.
Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria de encarar todos eles. Decidir o que fazer com esse contrato que me prendia a quatro homens poderosos.
Por agora, tudo que eu desejava era um pouco de paz, um instante de silêncio, como se isso pudesse me dar forças para enfrentar o que ainda viria. Encolhi-me entre os lençóis, sentindo o cheiro do mar ainda grudado na minha pele.
Meus pensamentos corriam livres, quase barulhentos. E, como sempre, Domenico invadiu tudo de novo. A lembrança do seu toque, do olhar faminto, da forma como me fazia sentir única, desejada, segura.
Mordi o lábio, tentando afastar a imagem dele, mas era inútil. Meu corpo ainda carregava as marcas da noite, as promessas gravadas na pele, as palavras sussurradas ao pé do ouvido.
Fechei os olhos, respirando fundo, tentando conter o calor que voltava a crescer dentro de mim. Não era hora para isso. Eu precisava de foco, precisava de força.
Mas, enquanto o sono me tomava outra vez, a última coisa que vi foi o sorriso dele, a certeza silenciosa de que, perto de Domenico, eu sempre me sentiria protegida mesmo quando o mundo lá fora fosse uma ameaça constante.

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