༺ Domenico Beltron ༻
Continuei observando meus irmãos me encararem, cada um exibindo expressões que oscilavam entre curiosidade, provocação e um leve resquício de irritação.
O silêncio que se formou depois da minha chegada com Amara durou pouco, como eu já imaginava.
Luca foi o primeiro a quebrar o clima, com um sorriso presunçoso pendurado nos lábios.
— Você deixou Amara tão cansada que ela precisou dormir cedo. Eu, sinceramente, pensei que ela ficaria um pouco com nós três.
Soltei um suspiro longo, prevendo muito bem onde aquela conversa iria parar.
— Algo assim. Tivemos uma noite incrível, intensa e prazerosa. Agora, ela merece descansar em paz.
Enzo revirou os olhos de imediato, recostando-se no sofá com um ar impaciente, quase entediado.
— Ah, claro. Ele está jogando na nossa cara que foi o primeiro a tirar a virgindade dela.
Ignorei o tom irritado. Pietro, até então quieto, ergueu uma sobrancelha, soltando um comentário carregado de desdém:
— Pelo menos ela gostou, não é? E aí, como foi?
Soltei uma risada curta, balancei a cabeça, sem me importar com o ar provocativo dele.
— Não vou entrar em detalhes. Só digo que foi bom. Vocês sabem que não costumo fazer um relatório detalhado sobre isso.
Luca, sempre o mais impulsivo, abriu um sorriso cheio de expectativa, como se estivesse se divertindo com minha paciência.
— Agora é minha vez. Sou o segundo mais velho e não vejo a hora de aproveitar.
Estreitei os olhos, mantendo o tom firme, sem deixar espaço para mal-entendidos.
— Tenha paciência, Luca. Não apresse Amara. Deixe-a ir no tempo dela, entendeu?
Ele bufou alto, mas não se deu o trabalho de retrucar. Enzo, por outro lado, cruzou os braços, inclinou a cabeça e me analisou de cima a baixo, com aquele jeito irritante de quem acha graça na provocação.
— Então quer dizer que agora você está apaixonado por ela?
A pergunta pairou no ar, carregada de veneno, mas não me incomodou. Caminhei até a mesa de bebidas, servi um copo generoso de uísque e voltei a encará-los, sentindo o gosto forte da bebida queimar a garganta.
— Isso não tem nada a ver com paixão. Se querem saber de algo, saibam que Amara merece respeito. Parem de enxergá-la como um pedaço de carne descartável.
Pietro soltou uma risada baixa, quase debochada.
— Vejam só o moralista falando agora.
Dei de ombros, bebendo mais um gole do uísque, mantendo o olhar fixo neles.
— Se for para jogarmos dentro das regras que estabelecemos, então que ela tenha tempo para se acostumar. É o mínimo.
Luca bufou outra vez, impaciente, como sempre.
— Tempo... tempo... Já esperamos demais, Domenico.
— Isso não é uma corrida — retruquei, sustentando o olhar firme.
Ele abriu um sorriso torto, sem fazer questão de esconder o fogo na fala.
— Pode não ser para você, mas para mim, cada dia conta. Estou louco de vontade também!
Passei a mão pelos cabelos, respirando fundo para manter a calma. Luca sempre fora assim impulsivo, direto, faminto por tudo o que quisesse, sem pensar em consequências.
— E o que você quer dizer com isso? — perguntei, com a voz mais baixa, desconfiada.
Luca se aproximou, pegou a garrafa de uísque e serviu-se devagar, fazendo questão de provocar.
— Quero dizer que Amara é minha também. E pretendo fazer com que ela perceba isso o quanto antes. Estou louco para possuí-la, irmão.
Enzo soltou um riso nasalado, balançando a cabeça.
— Você fala como se ela fosse um troféu, Luca. Um prêmio que precisa ser disputado.
Luca ergueu os ombros, sem a menor vergonha do que dizia.
— E não é?
Pietro, que até então só observava, inclinou-se para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Se for para dividir, que seja com equilíbrio. O Domenico tem razão. Ela não é um pedaço de carne, Luca. Controle essa sua pressa.
Luca deu um gole generoso no uísque, lançando-me um olhar divertido, mas carregado de provocação.
— Bom, vamos ver até onde essa paciência toda vai durar. Aposto que não dura muito.
A conversa não tinha mais para onde ir. No fundo, eu sabia que meus irmãos estavam apenas aguardando sua chance, contando os dias, cada um à sua maneira.
Isso já tinha sido acordado. Mas ver Luca tão impaciente acendia todos os alertas dentro de mim.
Soltei um suspiro pesado, terminei meu uísque de uma vez e deixei o copo sobre a mesa.
— Agora, se me dão licença, vou ver como ela está.
Enzo arqueou uma sobrancelha, a provocação viva no canto da boca.
— Vai checar se sua amada precisa de algo?
Ignorei o tom venenoso, virei as costas para eles e segui em direção à escada.
Ela assentiu, mas eu via que ainda digeria cada palavra. Queria que ela sentisse, de verdade, que era dona de cada escolha.
— Venha. Vamos tomar café — propus, erguendo-a com delicadeza pela mão.
Descemos juntos. Assim que entramos na sala de jantar, encontrei Luca, Enzo e Pietro já acomodados, todos de olho em nós.
Luca foi o primeiro a soltar veneno, um sorriso malicioso no rosto.
— Você deixou Amara tão cansada que ela precisou dormir cedo ontem, não foi?
Soltei uma risada baixa, puxei uma cadeira para ela e me sentei ao seu lado.
— Mais ou menos isso. Tivemos uma noite intensa, e ela precisava de descanso.
Luca riu, pegou uma xícara de café, sem perder o ar provocador.
— Agora será minha vez. Sou o segundo mais velho. Estou só aguardando.
Meu olhar endureceu de imediato.
— Tenha paciência, Luca. Não a pressione.
Ele ergueu as mãos em rendição, mas o sorriso não se desfez.
— Eu sei, eu sei. Só estou ansioso. Mal posso esperar.
Olhei para Amara, que comia em silêncio, as bochechas coradas. Meus irmãos eram provocadores, famintos, mas eu garantiria que respeitassem cada um dos limites dela.
Depois do café, ficamos um tempo na sala, conversando sobre qualquer coisa que a ajudasse a relaxar. Foi então que Luca se aproximou, jogou-se no sofá ao lado dela, um brilho travesso nos olhos.
— Vamos dar uma volta? Quero te mostrar a propriedade inteira.
Amara hesitou, mordeu o lábio, mas assentiu logo depois.
— Claro. Quero conhecer melhor.
Levantei-me, acompanhando os dois com o olhar atento enquanto Luca a conduzia para fora. Por mais que confiasse nos meus irmãos, o instinto protetor queimava forte dentro de mim.
Enzo passou por mim, deu um tapa leve no meu ombro.
— Vai ter que aprender a dividir, irmão. Ela não é só sua...
Suspirei, cruzei os braços, observando Amara desaparecer com Luca no jardim.
— Desde que seja no tempo dela. — murmurei, firme.
Dessa vez, eu faria questão de garantir que todos respeitassem isso.

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