À uma da tarde, o voo com destino a San Francisco decolou pontualmente.
Sentada junto à janela, na classe executiva, Tatiane observava a cidade se tornar cada vez menor lá embaixo. Na mão, apertava com força um colar. Dentro do pingente, havia a foto da comemoração de um mês de Bia.
Aquela partida significava que, dali em diante, encontrar a filha se tornaria cada vez mais difícil.
"Minha bebê… A mamãe sente muito."
A frase ecoou em silêncio dentro do peito.
O coração doía, contraindo-se uma vez após a outra.
Ao mesmo tempo, no caminho de volta do aeroporto para a mansão, dentro da Bentley de luxo,
Bia começou a chorar de repente.
Era um choro forte, desesperado, impossível de consolar.
Henrique a tomou nos braços, tentando de tudo para acalmá-la. Nada funcionava.
Só quando ela chorou até se cansar e adormeceu, o som foi diminuindo aos poucos.
Henrique manteve a filha junto ao peito. Limpou com cuidado o rostinho molhado de lágrimas. A mão grande batia de leve em suas costas, num gesto paciente, repetido.
Em seus olhos, havia apenas a ternura e a dor contida de um pai.
Cinco anos depois.
Sede do Grupo Vértice Holdings.
Dentro do amplo escritório do CEO, brinquedos de menina estavam espalhados por todos os lados. Tons de rosa dominavam o ambiente. As paredes exibiam adesivos delicados, e um quadro com um ursinho pendia discretamente ao fundo.
Diante da mesa de trabalho, havia uma cadeirinha infantil.
Sentada ali, comportada, estava uma garotinha de pele clara e traços delicados. As perninhas balançavam no ar. O cabelo, preso em dois coques fofos, era adornado com fios de pérola. Um grampo com uma pequena safira azul brilhava entre os fios.
Com os dedinhos macios, ela deslizava pela tela do tablet.
Sozinha, em silêncio, ela brincava concentrada, resolvendo um sudoku.
O homem alto e extremamente bonito permanecia diante da janela do chão ao teto. Vestia uma camisa branca impecável e uma calça preta de corte reto. Ombros largos, cintura enxuta, postura naturalmente elegante, quase aristocrática.
Com uma das mãos no bolso, atendia a uma ligação de trabalho.
Entre as sobrancelhas, a expressão era séria, fria, afiada.
Assim que a chamada terminou, ele se virou.
Ao ver a menina sentada diante da mesa do escritório, o olhar mudou instantaneamente. A frieza se dissolveu, dando lugar a uma ternura profunda, quase instintiva.
Ele se aproximou.
Na tela, percebeu que ela já havia alcançado a fase cem do jogo. Os lábios finos se curvaram num leve sorriso. A mão grande pousou sobre a cabecinha da menina, num carinho suave.
— A Bia é incrível.
Beatriz ergueu o rosto para o pai. Sob os cílios longos, os olhos grandes pareciam guardar um céu inteiro de estrelas.
— Papai, eu quero desenhar.
A voz era macia, doce como algodão-doce.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Ela Nunca Volta: Quando o Marido Frio Implora
30 capítulo e não aconteceu nada de interessante, esse cara é ridículo, a história tá perdendo enredo, era pra tá prendendo a gente , mas já tá um saco, li até aqui e não vi sentido algum. Me desculpa só sendo sincera…...